Salário mínimo deveria ser de R$ 8,1 mil para sustentar família, aponta Dieese
Estimativa para junho é cinco vezes maior que o piso nacional de R$ 1.621; em Curitiba, cesta básica consumiu mais da metade da renda líquida do trabalhador

O salário mínimo necessário para atender às despesas básicas de uma família brasileira deveria ter sido de R$ 8 mil em junho de 2026, segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor equivale a aproximadamente cinco vezes o piso nacional vigente, de R$ 1.621.
A estimativa considera uma família formada por dois adultos e duas crianças. O cálculo leva em conta gastos com alimentação, moradia, saúde, educação, vestuário, higiene, transporte, lazer e Previdência Social.
Apesar do nome, o valor não representa uma proposta oficial de reajuste nem significa que o salário mínimo será elevado para R$ 8,1 mil. Trata-se de uma referência calculada mensalmente pelo Dieese para mostrar quanto seria necessário para cumprir as necessidades previstas na Constituição Federal.
Valor subiu em junho
Em maio, o salário mínimo considerado necessário pelo instituto era de R$ 7.999,44. Portanto, houve aumento de R$ 111,48 em apenas um mês. Na comparação com junho de 2025, quando a estimativa era de R$ 7.416,07, a diferença chega a R$ 694,85. Naquele período, o piso oficial era de R$ 1.518.
O cálculo de junho teve como referência a cesta básica de São Paulo, a mais cara entre as 27 capitais pesquisadas. Na capital paulista, o conjunto de alimentos essenciais custou R$ 965,47. Na sequência apareceram Cuiabá, com cesta de R$ 937,93; Rio de Janeiro, com R$ 920,94; e Florianópolis, com R$ 918,42. Os menores valores foram encontrados em Aracaju, São Luís, Maceió e Natal.
Cesta básica em Curitiba
No Paraná, a pesquisa utiliza Curitiba como referência. Em junho, a cesta básica na capital paranaense custou R$ 842,76, registrando pequena queda de 0,04% em relação ao mês anterior.
Mesmo com a estabilidade mensal, o custo acumula alta de 14,21% nos primeiros seis meses de 2026 e de 6,70% em 12 meses. Um trabalhador que recebe o salário mínimo precisou trabalhar aproximadamente 114 horas e 23 minutos para comprar os alimentos da cesta.
Após o desconto previdenciário, a cesta básica comprometeu 56,21% do salário mínimo líquido em Curitiba. Isso significa que mais da metade da renda disponível foi destinada apenas aos alimentos considerados essenciais.
Alimentos subiram em 17 capitais
Entre maio e junho, a cesta básica ficou mais cara em 17 das 27 capitais analisadas pelo Dieese e pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). As maiores altas foram registradas em Boa Vista, Palmas, Rio Branco e Porto Alegre. Na média nacional, o trabalhador precisou cumprir uma jornada de 105 horas e 51 minutos para adquirir os produtos básicos.
A cesta comprometeu, em média, 52,02% do salário mínimo líquido.























