Influenciadora suspeita de assumir tráfico da máfia italiana
Paula Simões, influenciadora digital, é suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína de uma organização ligada à máfia italiana ‘Ndrangheta. As investigações apontam que ela recebeu autorização do marido preso para representar os interesses do grupo no Brasil.

Uma influenciadora digital é suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína de uma organização ligada à máfia italiana ‘Ndrangheta. Paula Simões, que se apresentava nas redes sociais como criadora de conteúdo sobre moda, beleza e rotina pessoal, teria recebido autorização do marido, preso em 2019, para representar os interesses do grupo criminoso no Brasil.
O marido de Paula, Patrick Assisi, e o sogro, Nicola Assisi, foram presos em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os dois são apontados pelas autoridades como integrantes da ‘Ndrangheta, organização criminosa originária da Calábria, no sul da Itália. Na época, Paula tinha cerca de 30 mil seguidores no Instagram.
Esquema usava Porto de Paranaguá
Segundo a investigação, os mafiosos utilizavam o Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar cocaína à Europa. A droga era escondida em contêineres de empresas que não tinham participação no esquema e apresentavam baixo risco nas inspeções. O método dificultava a detecção pelas autoridades portuárias.
Depois das prisões, Paula teria recebido autorização do marido para representar os interesses da organização no Brasil. O advogado Patrick Cardoso, por meio do contato reservado que mantinha com os presos, é suspeito de transmitir ordens e orientações sobre o funcionamento do esquema. A informação consta em materiais apresentados pelo programa “Fantástico”, da TV Globo.
Bilhetes orientavam cobranças de dívidas
Entre os materiais apresentados estão fotografias de bilhetes enviados pelos mafiosos de dentro da prisão. Em uma das mensagens, Patrick Assisi orienta a esposa a cobrar dívidas e recuperar valores de pessoas ligadas à organização. Os bilhetes foram apreendidos durante a Operação Eredità, em 2019.
O jornal italiano Corriere della Calabria publicou, em 18 de setembro, detalhes de mensagens analisadas pelas autoridades italianas. Segundo o periódico, a influenciadora era identificada pelos apelidos de “Chanel” e “Maria” em conversas sobre o tráfico de drogas. A reportagem reforça a suspeita de que Paula tinha papel ativo na comunicação do grupo.
Advogado é apontado como intermediador
Em outra reportagem, publicada em 22 de setembro, o jornal detalhou a atuação atribuída ao advogado Patrick Cardoso. As investigações apontam que ele intermediava cobranças e pagamentos, além de transmitir orientações do marido de Paula aos integrantes da organização. O celular do advogado também continha fotografias dele com drogas e grandes quantias em dinheiro.
A Polícia Federal suspeita ainda que Cardoso tenha utilizado a atividade profissional para manter relações criminosas com integrantes do Comando Vermelho. A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de exercício profissional.
Outro investigado usava apelido ‘BXX’
Outro investigado é Franklin Rodrigues de Oliveira, identificado nas conversas pelo apelido de “BXX”. Segundo a polícia, ele já atuava na organização antes das prisões de Nicola e Patrick Assisi e era responsável por remessas de drogas e movimentações financeiras. Os advogados de Franklin informaram que não vão comentar as acusações contra o cliente e que pretendem demonstrar a inocência dele à Justiça.
De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a organização manteve contatos, fornecedores e canais de transporte após as prisões de 2019. As investigações associam a estrutura criminosa a 11 apreensões que somam mais de 4,6 toneladas de cocaína. A quantidade demonstra a dimensão do esquema investigado.
Investigações seguem em andamento
A Operação Eredità, deflagrada em 2019, resultou em apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF). As autoridades continuam analisando materiais e depoimentos para esclarecer o papel de cada envolvido. A fonte não detalhou se Paula Simões foi formalmente indiciada ou se há mandado de prisão contra ela.
O caso segue sob investigação e pode trazer novos desdobramentos. Para mais informações sobre segurança pública e operações policiais, continue acompanhando o Portal Boca no Trombone.























