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Agronegócio

Isenções fiscais bilionárias da JBS levantam questões sobre o agronegócio no Brasil

A JBS não só se destaca na produção global de alimentos como também enfrenta desafios sociais em áreas onde opera suas plantas industriais

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Fonte: Receita Federal – Painel Declaração de Incentivos

Em meio às discussões sobre a necessidade de aumentar a arrecadação fiscal em 2025, as isenções tributárias concedidas a grandes empresas, especialmente no agronegócio, têm gerado controvérsia. Um dos casos mais emblemáticos é o da JBS, a maior produtora de proteína animal do mundo, que entre janeiro de 2024 e maio de 2025, recebeu mais de R$ 8,5 bilhões em isenções fiscais.

Esses dados foram disponibilizados pela Receita Federal através de um painel que facilita o acesso à Declaração de Incentivos, Renúncias, Benefícios e Imunidades de Natureza Tributária (Dirbi). A quantia corresponde a benefícios atribuídos a quatro diferentes CNPJs da JBS: JBS S/A, Seara Alimentos Ltda, Seara Comércio de Alimentos Ltda e JBS Aves Ltda.

No ano passado, a JBS reportou um lucro líquido de R$ 9,6 bilhões e, no primeiro semestre deste ano, com um desempenho destacado da Seara – adquirida em 2013 por R$ 5,8 bilhões –, a companhia anunciou um lucro adicional de R$ 2,9 bilhões. Assim, no mesmo intervalo em que recebeu isenções fiscais significativas, a empresa acumulou um lucro total de R$ 12,5 bilhões, o que significa que cerca de 68% desse lucro foi equivalente aos tributos não pagos.

O levantamento mostra que a maior parte das isenções recebidas pela JBS está relacionada ao Cofins, representando 76,3% do total. Seguem-se o PIS/Pasep com 16,5% e a Contribuição Previdenciária com 5,8%. Além disso, são observadas isenções menores para tributos como IRPJ e CSLL.

O engenheiro agrônomo Adalberto Floriano Greco Martins criticou os privilégios do setor agroindustrial ao afirmar que “uma única empresa recebeu mais de R$ 5 bilhões em isenção”, comparando essa quantia ao orçamento de ministérios fundamentais como o do Desenvolvimento Agrário e o do Meio Ambiente. Ele questiona como um setor que se apresenta como moderno e autossuficiente pode depender tanto de recursos públicos.

Dados da Receita Federal indicam que o setor de carnes foi o segundo mais favorecido por isenções tributárias desde 2024, totalizando R$ 36,53 bilhões. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), enfatizou que as isenções anuais para o agronegócio giram em torno de R$ 158 bilhões. Ele questionou se realmente se pode negar o patrocínio governamental ao agronegócio brasileiro.

A crítica se estende à contradição na narrativa do agronegócio que afirma não necessitar do Estado. O economista Róber Iturriet Avila observou que embora o setor seja vital para as exportações brasileiras, ele é um dos principais beneficiados por incentivos fiscais.

A JBS não só se destaca na produção global de alimentos como também enfrenta desafios sociais em áreas onde opera suas plantas industriais. Um estudo recente revelou que nas cidades onde a empresa está presente houve aumento no número de famílias cadastradas no Bolsa Família entre 2013 e 2023.

A trajetória da JBS é marcada por polêmicas relacionadas ao desmatamento e violações trabalhistas. A empresa tem sido alvo de críticas por supostas práticas ilegais na aquisição de gado e por manter trabalhadores em condições análogas à escravidão. Apesar das alegações contrárias da JBS sobre sua conformidade com normas ambientais e trabalhistas, as investigações continuam gerando desconfiança sobre suas operações.

Com a crescente pressão de organizações como Greenpeace e Global Witness em relação à responsabilidade socioambiental da empresa e suas operações no exterior, a JBS afirma estar comprometida com práticas sustentáveis. Contudo, analistas permanecem céticos quanto à real implementação dessas políticas.

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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