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Jovens e o Comércio Ilegal de Animais Silvestres: Um Estudo Revelador

A pesquisa da Renctas revela que jovens brasileiros estão se envolvendo no comércio ilegal de animais silvestres, sem perceber as consequências legais e ambientais.

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Um fenômeno crescente no Brasil é a participação de jovens, especialmente aqueles com menos de 30 anos, no comércio ilegal de animais silvestres. Este dado foi destacado em uma pesquisa realizada pela Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (Renctas). O estudo analisa aproximadamente 3 mil mensagens em grupos de Whatsapp voltados para a venda e troca de espécies silvestres, revelando um perfil preocupante entre os vendedores.

Tiago, um estudante de medicina veterinária de 24 anos, exemplifica essa nova realidade. Desde a adolescência, ele se dedicou ao cuidado de répteis, considerando-os animais “magníficos e fáceis de cuidar”. Entretanto, sua paixão o levou a participar do comércio ilegal desses animais, prática que pode resultar em penalizações severas, incluindo prisão.

Utilizando um celular registrado no Paraguai e mantendo sua identidade em anonimato, Tiago compartilhou sua experiência com a BBC. Ele admite que seu envolvimento começou quando tinha apenas 14 anos, inspirado por canais populares do YouTube que mostram o manejo de répteis. Apesar da ilegalidade dessa atividade, Tiago afirma que não depende da venda dos animais para sua subsistência e se considera um “hobbysta”.

A pesquisa da Renctas revelou que muitos jovens como Tiago operam nesses grupos clandestinos sem necessariamente buscar lucro. O comércio é realizado principalmente pelo Whatsapp, onde os usuários precisam ser indicados para ingressar nas redes sociais clandestinas que gerenciam a troca de informações e vendas.

O estudo identificou que esses jovens utilizam pseudônimos e chips de celular digitais para ocultar suas identidades, além de técnicas como VPN para garantir a privacidade nas transações. Entre os vendedores analisados, a maioria tem entre 21 e 30 anos, com uma quantidade significativa também na faixa etária de 11 a 20 anos.

Além disso, o comércio ilegal frequentemente se camufla em plataformas de e-commerce como o Mercado Livre. Vendedores publicam itens como tênis ou bolsas enquanto alertam os compradores nos grupos sobre a verdadeira natureza da transação: a venda de animais silvestres. Esse método dificulta o rastreamento por parte das autoridades, já que as transações financeiras parecem legítimas.

A Renctas destaca que muitos jovens não percebem a gravidade ambiental e legal do tráfico de animais silvestres, levando à ideia errônea de que estão ajudando na preservação das espécies ao criar esses animais em cativeiro. Dener Giovanini, coordenador da Renctas, enfatiza que esse fenômeno é semelhante ao tráfico de drogas, onde traficantes experientes aliciam jovens nas comunidades locais para atuar como fornecedores.

O agente ambiental do Ibama, Bruno Campos Ramos, confirma essa tendência entre os jovens. Em operações frequentes em feiras ilegais no Rio de Janeiro, ele observa que muitos participantes são adolescentes e jovens adultos influenciados por conteúdos viralizados nas redes sociais.

Embora as plataformas digitais estejam cientes do uso indevido dos seus serviços para promover atividades ilegais, como o comércio de animais silvestres, há um desafio contínuo em controlar essas práticas. Tanto o Mercado Livre quanto o WhatsApp afirmaram trabalhar ativamente para combater esse tipo de abuso em suas plataformas.

Com isso, as autoridades enfrentam um dilema: conscientizar os jovens sobre as implicações legais e ambientais do tráfico de animais enquanto lidam com uma cultura digital que facilita a circulação dessas práticas ilícitas. A necessidade urgente de educação sobre conservação e legislação ambiental é evidente para mitigar essa problemática crescente no país.

Leia também “Narcocídio”: nova lei quer punir mortes ligadas à cobrança de dívidas do tráfico

Boca no Trombone
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