Justiça arquiva processo de operação policial que resultou na morte de seis criminosos em PG
Ação ocorrida em janeiro de 2025 desarticulou quadrilha do “novo cangaço”. Defensoria Pública reconheceu a necessidade da força policial, mas criticou a ausência de câmeras corporais.

A Justiça determinou o arquivamento do processo judicial que investigava a operação policial responsável pela morte de seis criminosos na madrugada de 17 de janeiro de 2025, em Ponta Grossa. A Polícia Civil concluiu que as mortes ocorreram durante um intenso confronto com uma organização criminosa fortemente armada, especializada em assaltos a bancos e que atuava na modalidade conhecida como “novo cangaço”.
A operação, que envolveu agentes do Batalhão de Operações Especiais (Bope) e do Grupo Tigre, ocorreu em uma chácara localizada na rodovia PR-151. Segundo os relatos, o tiroteio durou cerca de oito minutos, motivado pela reação violenta dos suspeitos.
Legítima defesa e o parecer da Defensoria Pública
Apesar de desfecho letal, a análise do inquérito levou o Núcleo de Política Criminal e Execução (Nupep), ligado à Defensoria Pública do Paraná, a reconhecer a legitimidade da ação.
O órgão afirmou que as equipes policiais “foram surpreendidas por intensa e imediata agressão armada desencadeada pelos investigados”. O grupo estava equipado com fuzis, explosivos e armamento pesado de calibre .50. Diante disso, o Nupep concluiu que a reação dos agentes foi “estritamente necessária para cessar a agressão injusta e proteger suas próprias vidas”, especialmente devido à recarga constante das armas por parte dos criminosos e às tentativas de fuga mediante novos ataques.
Investigações e laudos balísticos e genéticos também comprovaram que as armas e os indivíduos neutralizados possuíam vínculo direto com crimes violentos anteriores contra instituições financeiras, incluindo ações com sequestro de reféns e uso de explosivos.
Falta de câmeras corporais e questionamentos da OAB
Apesar de atestar a legítima defesa, o Nupep emitiu, em agosto do ano passado, um ofício classificando como “grave” a ausência de gravações da operação. Para o órgão, houve “falta de registros imparciais da operação que culminou nos óbitos e que seriam facilmente captados com o uso pelos agentes envolvidos de câmeras corporais”. O núcleo destacou que continuará atuando para que o uso de câmeras corporais seja consolidado nas polícias, principalmente em ações de alto risco.
O caso também gerou reações da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PR). Em março, a entidade enviou um ofício ao Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR) questionando a conduta da operação devido a “alegações de possíveis execuções sumárias e irregularidades na condução das investigações”. O questionamento ganhou força após um vídeo, atribuído à operação, circular em aplicativos de mensagens mostrando corpos no chão com supostas características de execução. O material, no entanto, nunca teve sua veracidade confirmada por órgãos oficiais.
Os mortos e as apreensões
Entre os seis homens mortos no confronto, estava Wesley Henrique Gomes Borges, de 31 anos. Ele era primo do zagueiro Leo Pereira, revelado pelo Athletico Paranaense e que atualmente joga no Flamengo e na Seleção Brasileira.
Além de Wesley, os outros cinco suspeitos mortos foram identificados como:
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Carlos Eduardo Fernandes Moreira, de 47 anos;
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Marco Souza dos Anjos, de 47 anos;
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Rudinei Lopes, de 44 anos;
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José Marcelo de Oliveira, de 39 anos;
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Fred Guilherme dos Santos, de 38 anos.
Após o confronto na chácara, a Polícia Civil realizou uma apreensão expressiva de material bélico de guerra. Foram retirados de circulação:
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7 fuzis;
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1 metralhadora;
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1 pistola;
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36 carregadores de fuzil;
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Diversos coletes à prova de balas;
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Munições variadas para fuzis e metralhadoras;
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Explosivos;
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Placas falsas de automóveis;
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Um veículo clonado e blindado.
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