DOMINGO · 08 NOV 2026Ponta Grossa 17°C 🌤️
Publicidade
Política

Lula cresce em todas as faixas de renda, com maior alta na classe média baixa

O presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva melhorou seu desempenho em todas as faixas de renda no segundo turno, com maior crescimento na classe média baixa. O cruzamento de dados do TSE e do Censo 2022 revela que a votação do petista diminui à medida que a renda aumenta, mas a fronteira de virada subiu de R$ 2.590 para R$ 2.920.

Lula avança em todas as faixas de renda; maior alta foi na classe média baixa
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebra reeleição na Avenida Paulista, em São Paulo, em 25 de outubro de 2026. — Foto: Amanda Perobelli/Reuters
Publicidade

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avançou em todas as faixas de renda entre o primeiro e o segundo turno das eleições de 2026, com o maior crescimento registrado nas áreas de classe média baixa. É o que mostra o cruzamento dos resultados das quase 500 mil seções eleitorais do país, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), com os dados de renda do Censo 2022, do IBGE.

Em geral, quanto menor a renda da região, maior foi a votação de Lula. Ainda assim, o candidato reeleito melhorou seu desempenho em todas as faixas no segundo turno, impulsionado principalmente pelos eleitores de renda intermediária.

Virada na classe média baixa

Nas áreas onde a renda média mensal variava de R$ 2.590 a R$ 2.920, Flávio Bolsonaro (PL) havia sido o mais votado no primeiro turno. No segundo, porém, Lula avançou e assumiu a liderança, passando de 44,4% para 51,6% dos votos válidos.

Com esse movimento, Flávio passou a superar Lula apenas nas regiões de renda mais elevada — aquelas em que o petista aparece com menos de 50% dos votos. No primeiro turno, essa fronteira estava nas áreas com renda média a partir de R$ 2.590 por mês. No segundo, subiu para R$ 2.920.

Relação entre renda e voto

Nas regiões com renda média de até R$ 1.780 por mês, Lula obteve 74,2% dos votos válidos no segundo turno. Já nas áreas em que a renda variava de R$ 5.190 a R$ 7.130, o percentual caiu para 41,7%. A votação do petista diminui quase continuamente à medida que a renda aumenta.

Esse ponto de virada, no entanto, varia entre os estados, refletindo as diferenças regionais na relação entre renda e comportamento eleitoral.

Crescimento em todas as faixas

Lula ganhou votos em todas as faixas de renda entre um turno e outro, de 4,8 a 7,2 pontos dos votos válidos, mas o crescimento não foi uniforme. O avanço foi menor nas áreas mais pobres, onde ele já tinha sete em cada dez votos, e maior na classe média baixa.

Nas áreas mais pobres, com renda abaixo de R$ 1.780, Lula passou de 69,4% para 74,2%. Nas mais ricas, acima de R$ 7.130, foi de 37,6% para 44,3%. A partir de R$ 2.590, o ganho ficou acima de 6,5 pontos em todas as faixas.

Ocupação do espaço dos outros candidatos

No primeiro turno, de 4% a 10% dos votos válidos foram para outros candidatos, mais nas áreas ricas do que nas pobres. No segundo turno, esse espaço foi ocupado sobretudo por Lula.

Nas áreas mais pobres, Flávio teve uma fatia dos válidos menor no segundo turno do que no primeiro. Na faixa em que a disputa virou, de R$ 2.590 a R$ 2.920, ele subiu 0,8 ponto, contra 7,2 de Lula. Mesmo nas áreas mais ricas, onde os outros candidatos tiveram 10% no primeiro turno, Lula cresceu o dobro de Flávio: 6,7 pontos, contra 3,3.

Diferenças regionais acentuadas

O ponto de virada, a fronteira em que Flávio ultrapassa o candidato petista, varia também entre os estados e, em alguns casos, não segue a relação do país.

Em oito dos nove estados nordestinos — Bahia, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe —, Lula liderou em todas as faixas de renda no 2º turno. Na Bahia, mesmo as seções em áreas com renda acima de R$ 7.130 deram 60,7% a ele. Em Pernambuco, 57,4%.

Alagoas é a exceção: Lula liderou nas áreas com renda de até R$ 7.130 e perdeu só nas mais ricas, onde teve 44,3%.

Sul e Centro-Oeste invertem o quadro

No Sul e no Centro-Oeste, o quadro é outro. Em Goiás, no Paraná e em Santa Catarina, Lula só liderou na faixa mais baixa, até R$ 1.780. Em Santa Catarina, o voto nele despenca de 72,2% nessa faixa para 38% na seguinte.

Em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul e Espírito Santo, a fronteira ficou em R$ 2.110. Mato Grosso tem a queda mais acentuada do país: de 76,8% nas áreas mais pobres para 25,2% nas mais ricas.

Estados sem liderança de Lula

Em três unidades da federação, Lula não liderou em nenhuma faixa de renda: Acre, Rondônia e Distrito Federal. Em Roraima, liderou só nas áreas com renda de até R$ 1.780, com 50,6%.

Grandes colégios eleitorais

São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais, reproduzem a fronteira nacional: Lula liderou nas áreas com renda de até R$ 2.920 e perdeu a partir daí.

A diferença está na inclinação. Em São Paulo, a curva é mais achatada: Lula teve 56,8% nas áreas mais pobres e 43,4% nas mais ricas. Em Minas, a variação é maior, de 67,3% para 43,8%.

Rio de Janeiro inverte a relação

O Rio de Janeiro, base política de Flávio, é o único estado em que a relação se inverte. Lula perdeu em todas as faixas até R$ 7.130, com votações entre 44% e 47%, e liderou apenas nas áreas mais ricas, com 53,1%.

Os dados reforçam a complexidade do eleitorado brasileiro e a importância de análises regionais para entender o resultado das urnas. O portal Boca no Trombone continuará acompanhando os desdobramentos políticos e seus impactos na população.

Fonte

Tags
Quer ver a BnT mais vezes no Google?
Newsletter

As mais lidas do BnT, todo dia no seu e-mail

Todo dia às 6h30, as notícias mais lidas do site nas últimas 24 horas. É grátis, e você cancela quando quiser.

Você recebe um e-mail para confirmar. Usamos seu endereço só para enviar a newsletter; o link para cancelar vai em todo envio.

Redação BnT
Autoria
Redação BnT
Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
Ver todas as matérias →
Publicidade
Publicidade
Notícias relacionadas
Web Stories
Todas →
VídeosMais vídeos para você curtir
Ver no YouTube →
Faz parte da rede