Mabel e Jocelito preferem Moro e Elizabeth a Sandro Alex, por Gleidson Carlos
Apoio de Mabel e Jocelito Canto a Sérgio Moro movimenta a política do Paraná e amplia a disputa estadual envolvendo lideranças de Ponta Grossa.

O apoio da deputada Mabel e do pai, Jocelito, a Sérgio Moro, para o Governo do Paraná, vai muito além de uma decisão eleitoral. É também um movimento importante. Mesmo filiados ao Progressistas, que integra a federação com o União Brasil, decidiram não acompanhar Sandro Alex. A escolha não surpreende, já haviam deixado claro que não apoiariam o candidato do PSD. A novidade é o destino desse apoio.
Rafael Greca chegou a ser uma alternativa para a família, mas sua entrada como vice de Sandro fechou essa porta. Moro passou a ser a saída mais calculada: mantém os Canto no campo da direita e, ao mesmo tempo, evita colocá-los no mesmo palanque de Sandro e Marcelo Rangel.
A rivalidade pesa. Foi Sandro quem atuou judicialmente contra Jocelito no episódio que impediu sua posse como deputado federal, depois de uma eleição em que recebeu cerca de 75 mil votos. Uma ferida política desse tamanho dificilmente desaparece.
Por isso, a presença da prefeita Elizabeth Schmidt no palanque de Moro parece menos estranha do que poderia parecer. A rivalidade com Elizabeth existe, mas o conflito com Sandro tem outra dimensão para os Canto.
O movimento também cria uma situação desconfortável para Ratinho Junior. A reaproximação de Mabel com a base governista poderia levar à expectativa de apoio a Sandro, mas não aconteceu. Mais do que isso: os Canto poderiam ter escolhido a neutralidade. Preferiram entrar no jogo.
E isso fortalece Moro justamente onde Sandro deveria ter uma vantagem natural.
A eleição estadual começa, assim, a reproduzir uma disputa que Ponta Grossa conhece bem: Cantos contra Oliveira. Só que, desta vez, o confronto municipal ganhou um palco estadual.
E a escolha dos Canto mostra que, em política, nem sempre a aliança partidária pesa mais do que a memória das disputas.
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