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Menina, por Renata Régis Florisbelo

No ponto ermo, apenas de passagem, vi a menina que usava uniforme escolar. Muito longe de celestial azul matinal seu rosto estava sujo, um misto de fuligem com barro. Meu olhar naquela infinitude erma inda capturou as tonalidades das manchas na roupa suja. Uma sujidade que intriga e acusa: alguém não lhe cuida? Menina marrom […]

Menina, por Renata Régis Florisbelo
Menina, por Renata Régis Florisbelo
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No ponto ermo, apenas de passagem, vi a menina que usava uniforme escolar. Muito longe de celestial azul matinal seu rosto estava sujo, um misto de fuligem com barro. Meu olhar naquela infinitude erma inda capturou as tonalidades das manchas na roupa suja. Uma sujidade que intriga e acusa: alguém não lhe cuida?

Menina marrom na face e na roupa que não foram lavadas, sujeira de muitos dias incorporada. Na beira da rodovia onde quase nada havia, a mulher erguia os cabelos da menina-marrom sujeira não lavada e insistia na porção de cachos abocanhada.

A menina aceitava, não fazia cara de quem gostava, contudo era uma face manchada e assim lhe valia expressar o que desagradava. A menina-marrom parecia uma pétala fresca que a chuva vem lambuzar de lama recolhida, que depois seca, vira barro e pó e ao pó não retorna, em vez disso numa face-criança se acomoda. Eu passei, registrei, e no coração àqueles olhos me associei. Fui menos que o pó, posto que naquela face sequer me revelei.

Autoria: Renata Regis Florisbelo

Leia também:  Seis anos, por Renata Régis Florisbelo

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Renata Regis Florisbelo
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Renata Regis Florisbelo
É escritora, autora de 16 livros (o 17º já esta em trabalho de parto) e catalisadora cultural. Divulga poemas curtos, diariamente, nas redes sociais desde 2014. Tem mais de 690 textos publicados nos veículos de comunicação dos Campos Gerais, incluindo os vídeos com leituras interpretativas autorais produzidos para o BNT. É integrante da Academia de Letras dos Campos Gerais, do Centro Cultural Professor Faris Michaele (atual presidente), da Academia Ponta-grossense de Letras e Artes, do Centro de Letras do Paraná e patronesse da Academia de Letras do Centro do Paraná. Encontra na arte seu nicho por onde desvelar seu melhor olhar para o mundo.
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