Menina, por Renata Régis Florisbelo
No ponto ermo, apenas de passagem, vi a menina que usava uniforme escolar. Muito longe de celestial azul matinal seu rosto estava sujo, um misto de fuligem com barro. Meu olhar naquela infinitude erma inda capturou as tonalidades das manchas na roupa suja. Uma sujidade que intriga e acusa: alguém não lhe cuida? Menina marrom […]

No ponto ermo, apenas de passagem, vi a menina que usava uniforme escolar. Muito longe de celestial azul matinal seu rosto estava sujo, um misto de fuligem com barro. Meu olhar naquela infinitude erma inda capturou as tonalidades das manchas na roupa suja. Uma sujidade que intriga e acusa: alguém não lhe cuida?
Menina marrom na face e na roupa que não foram lavadas, sujeira de muitos dias incorporada. Na beira da rodovia onde quase nada havia, a mulher erguia os cabelos da menina-marrom sujeira não lavada e insistia na porção de cachos abocanhada.
A menina aceitava, não fazia cara de quem gostava, contudo era uma face manchada e assim lhe valia expressar o que desagradava. A menina-marrom parecia uma pétala fresca que a chuva vem lambuzar de lama recolhida, que depois seca, vira barro e pó e ao pó não retorna, em vez disso numa face-criança se acomoda. Eu passei, registrei, e no coração àqueles olhos me associei. Fui menos que o pó, posto que naquela face sequer me revelei.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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