Mesa para cinco, por Renata Régis Florisbelo
Uma mulher e cinco crianças chamam a atenção durante um almoço no restaurante, despertando curiosidade e reflexões em uma observadora da cena.

Cada uma das cinco crianças se comportava bem. Ninguém corria, nem gritava, também não olhavam para a mulher que as acompanhava como quem pede alguma coisa. Chegaram juntas ao restaurante. Moça de feições leves. As crianças intrigavam. Filhos? Uma moça tão jovem… Alguém lhe confiara aqueles bem-comportados filhotes de gente para providenciar o almoço?
As meninas com seus garfos a comer sem pressa e ela cuidava, atendia. A sobra do tempo era a ela mesma destinada nas poucas garfadas no que seu prato alcançara. Havia um colorido harmonioso naqueles pratos. Havia regularidade nas faces que saboreavam comedidas. Igualmente regulares e sutis eram os tons das roupas de todos: mulher e suas cinco crianças para o almoço.
Havia regularidade na minha expressão que enquanto comia laranja com feijão, tentava ocultar como expectadora da cena a indagação. Na mesa cabiam cinco crianças, uma mulher e a minha interrogação.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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