O primeiro-ministro grego, Kyriakos Mitsotakis, declarou em entrevista ao programa Europe Today, da Euronews, que a maior parte dos países europeus não pode aderir ao “Conselho de Paz” proposto por Donald Trump.
Os comentários foram feitos após o lançamento formal da iniciativa em Davos, na quinta-feira. O projeto busca resolver conflitos globais, mas enfrenta resistência significativa no continente.
Mitsotakis destacou que o projeto vai muito além do mandato do Conselho de Segurança da ONU. Isso levanta questões sobre sua viabilidade e aceitação internacional.
Críticas ao Conselho de Paz de Trump
O projeto tem origem no plano de cessar-fogo de 20 pontos em Gaza aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU. No entanto, expandiu-se muito além de seu mandato inicial.
De acordo com Mitsotakis, o que foi estabelecido é algo a que a maioria das nações europeias não pode aderir. Isso cria uma divisão clara no bloco.
Estrutura paralela à ONU
A iniciativa foi amplamente criticada por estabelecer uma estrutura paralela às Nações Unidas. Isso poderia minar a autoridade do organismo multilateral.
Poderes desproporcionais para Trump
Outro ponto de controvérsia é a concessão de poderes desproporcionais a Donald Trump, segundo os críticos. O convite à Rússia para participar também gerou descontentamento entre aliados tradicionais.
Esses fatores combinados explicam a relutância de muitos países em se juntar ao esforço. A reação negativa reflete preocupações mais amplas sobre a governança global e o papel dos Estados Unidos.
Resistência europeia ao projeto
Muitos aliados europeus recusaram participar do “Conselho de Paz”. Entre eles estão:
- Noruega
- Suécia
- França
Outros, como a Itália, disseram que não iriam aderir por enquanto. Isso indica um ceticismo generalizado.
Baixa adesão em Davos
Na cerimônia de assinatura em Davos, menos de 20 países aderiram à iniciativa. É um número modesto para um projeto de alcance global.
A Hungria e a Bulgária foram os únicos países europeus a participar. Isso destaca o isolamento da proposta no continente.
Essa resistência sugere que a iniciativa de Trump enfrenta obstáculos significativos para ganhar tração internacional. A falta de apoio de nações-chave pode limitar sua eficácia e legitimidade.
Posição da Grécia sobre Gaza
Mitsotakis afirmou que os Estados Unidos devem estar envolvidos na reconstrução de Gaza. Ele reconheceu o papel crucial do país nesse processo.
No entanto, ele defendeu limites claros para a atuação do “Conselho de Paz”. O primeiro-ministro insistiu que a iniciativa não deve se expandir indefinidamente.
Defesa de uma abordagem focada
Mitsotakis reforçou a necessidade de que o plano seja “apenas para Gaza” e “apenas por um período limitado de tempo”. Ele defendeu uma abordagem mais focada.
Essa visão contrasta com a ambição original do projeto, que busca atuar em múltiplas frentes. A posição reflete uma preocupação com a estabilidade regional e a necessidade de soluções duradouras para o conflito.
Relação transatlântica em transformação
Mitsotakis disse que a relação entre Europa e Estados Unidos está se tornando mais complexa. Ele destacou que precisa ser gerenciada de forma diferente.
O líder grego também expressou alívio após Donald Trump recuar subitamente na sua ameaça de se apoderar do território ártico da Groenlândia. Em vez disso, Trump optou por um acordo de longo prazo sobre a segurança da zona, mediado pelo secretário-geral da OTAN, Mark Rutte.
Europa mais assertiva
Mitsotakis destacou que a União Europeia tem de defender seus próprios interesses. Isso sinaliza uma postura mais assertiva do bloco.
Essa mudança pode influenciar futuras colaborações em temas de segurança e diplomacia. A declaração ocorre em um momento de redefinição das alianças internacionais, com a Europa buscando maior autonomia.
Conclusão
O caso do “Conselho de Paz” exemplifica como iniciativas unilaterais podem encontrar resistência, mesmo entre parceiros tradicionais. A gestão dessas divergências será crucial para a coesão do Ocidente nos próximos anos.
Publicado a 23/01/2026 – 12:48 GMT+1, o pronunciamento de Mitsotakis reforça a divisão dentro da Europa sobre como lidar com propostas de paz lideradas por atores externos.
Enquanto alguns países veem valor na participação, a maioria prefere manter-se alinhada com estruturas multilaterais consolidadas, como a ONU. O desfecho dessa disputa ainda está por ser definido, mas já deixa claro os desafios da diplomacia no cenário global atual.


















