Morre aos 95 anos o autor Benedito Ruy Barbosa, criador de clássicos da TV brasileira
Dramaturgo estava internado no Hospital do Coração (HCor), em São Paulo, e faleceu na manhã desta terça-feira (7) vítima de insuficiência renal crônica.

A televisão brasileira perdeu um de seus maiores contadores de histórias. Faleceu na manhã desta terça-feira (7), aos 95 anos, o autor e dramaturgo Benedito Ruy Barbosa. Ele estava internado no Hospital do Coração (HCor), na capital paulista, tratando complicações decorrentes de uma insuficiência renal crônica (IRC).
O escritor já vinha enfrentando problemas de saúde recentemente e chegou a passar vários dias internado na mesma instituição em janeiro deste ano. Em nota oficial divulgada à imprensa, o hospital confirmou o falecimento:
“O Hcor informa que o autor Benedito Ruy Barbosa, de 95 anos, faleceu nesta manhã devido a complicações de insuficiência renal crônica (IRC). A instituição se solidariza com os familiares e amigos neste momento de pesar”.
Das redações para a consagração na TV
Nascido em 17 de abril de 1931, na cidade de Gália, no interior paulista, Benedito construiu uma trajetória diversificada antes de se consagrar na televisão. Mudou-se para São Paulo na fase adulta, onde trabalhou como comerciante e bancário. Em 1954, iniciou sua carreira no jornalismo como revisor do jornal O Estado de S. Paulo, passando posteriormente por veículos como Última Hora e Gazeta Esportiva.
Sua porta de entrada para a teledramaturgia foi a literatura. Em 1959, publicou seu primeiro romance, “Fogo Frio”. Anos mais tarde, em 1966, assinou seu primeiro folhetim televisivo: “Somos Todos Irmãos”, exibido pela extinta TV Tupi. O autor também acumulou passagens pela TV Excelsior e Record, até chegar à TV Globo.
O mestre das narrativas regionais e rurais
Com um olhar sensível e apurado para a vida interiorana e as raízes do país, Benedito Ruy Barbosa foi o responsável por moldar o imaginário nacional com tramas inesquecíveis.
Principais marcos de sua carreira:
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A primeira novela das seis: Em 1971, lançou “Meu Pedacinho de Chão”, inaugurando a faixa de novelas das 18h na Rede Globo.
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O fenômeno Pantanal: Em 1990, pela extinta Rede Manchete, o autor fez história com “Pantanal”. Com belas paisagens e narrativa imersiva, a novela foi um sucesso estrondoso de audiência, marcando a teledramaturgia brasileira.
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A era de ouro na Globo: Após o sucesso na Manchete, retornou à Globo, onde emplacou clássicos absolutos como “O Rei do Gado” (1996), “Terra Nostra” (1999) e “Esperança” (2002).
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Remakes e universo infantil: Foi roteirista do icônico “Sítio do Picapau Amarelo” a partir de 1977 e, nos anos 2000, escreveu novas versões de seus próprios clássicos, como “Cabocla” (2004) e “Sinhá Moça” (2006).
A versatilidade de Benedito também o levou aos cinemas, assinando roteiros de filmes como “O Dia que o Santo Pecou” (1975), “Mágoa de Boiadeiro” (1979) e “O Filho Adotivo” (1984).
Sua última obra original na televisão foi a novela “Velho Chico”, exibida em 2016 pela TV Globo. Marcada por uma estética fora dos padrões tradicionais da emissora, a trama foi o último grande projeto de um autor que dedicou sua vida a retratar a alma, os sotaques e as paisagens do Brasil profundo.
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