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Mortes por câncer do colo do útero podem subir 39,3%

Pesquisa internacional aponta que mortes por câncer do colo do útero podem crescer 39,3% no mundo até 2050, chegando a 522 mil óbitos anuais. Novos casos devem ultrapassar 1 milhão por ano. Países de baixa renda concentram os maiores desafios.

Mortes por câncer do colo do útero podem subir 39,3%
Autocoleta para HPV pode reduzir desigualdades na prevenção do câncer do colo do útero — Foto: Adobe Stock
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O número de mortes por câncer do colo do útero pode aumentar 39,3% em todo o mundo até 2050, chegando a aproximadamente 522 mil óbitos por ano. No mesmo período, os novos casos da doença devem crescer 20,2%, ultrapassando a marca de 1 milhão de diagnósticos anuais. Os dados fazem parte de um estudo publicado nesta segunda-feira (2) na revista científica Nature Medicine.

A pesquisa analisou informações de 204 países e territórios, incluindo o Brasil, e mostra que, apesar de ser um dos tipos de câncer com maior potencial de prevenção, a doença deve continuar provocando centenas de milhares de mortes nas próximas décadas. O cenário é especialmente preocupante nos países de baixa renda, onde as mulheres enfrentam maiores dificuldades para ter acesso à vacinação contra o papilomavírus humano (HPV), aos exames preventivos e ao tratamento de lesões que podem evoluir para câncer.

Projeções globais e desafios regionais

Para 2050, os pesquisadores projetam 1,08 milhão de novos casos e 522 mil mortes anuais. Os aumentos correspondem, respectivamente, a 20,2% e 39,3% em comparação com os níveis estimados para 2024. O levantamento também indica que, se as tendências atuais forem mantidas, nenhuma das sete grandes regiões do mundo analisadas pelos pesquisadores deverá atingir, até 2050, a meta de eliminação do câncer do colo do útero estabelecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Para a organização, a eliminação como problema de saúde pública significa reduzir a incidência para menos de quatro novos casos por 100 mil mulheres por ano. A equipe analisou a incidência, a mortalidade e os impactos do câncer do colo do útero entre 1990 e 2023. A partir dessas informações, os pesquisadores construíram modelos estatísticos para estimar o comportamento da doença até 2050.

Brasil: estimativas e diferenças metodológicas

No Brasil, os pesquisadores estimaram que, em 2023, ocorreram aproximadamente 26,5 mil novos casos e 10,9 mil mortes por câncer do colo do útero. Os números foram calculados por modelos estatísticos internacionais e diferem das estimativas oficiais brasileiras, que utilizam outra metodologia. A diferença reforça a importância de interpretar os dados com cautela, considerando as particularidades de cada sistema de saúde e de registro de casos.

O estudo foi conduzido por uma equipe internacional de pesquisadores, liderada por Natalie Pritchett e Lisa Force, da Universidade de Washington, nos Estados Unidos. Para chegar aos resultados, os cientistas utilizaram informações do estudo Carga Global de Doenças (GBD, na sigla em inglês), que reúne dados de saúde de diferentes países.

Prevenção e acesso à saúde

O câncer do colo do útero está fortemente associado à infecção persistente pelo HPV, vírus sexualmente transmissível. A vacinação contra o HPV é uma ferramenta eficaz de prevenção primária, recomendada para meninas e meninos antes do início da vida sexual. Além disso, o exame preventivo, conhecido como Papanicolau, permite detectar lesões precursoras que podem ser tratadas antes de evoluírem para câncer.

Nos países de baixa renda, a cobertura vacinal e o acesso ao rastreamento são limitados, o que contribui para o diagnóstico tardio e para a maior mortalidade. A OMS estabeleceu metas globais para acelerar a eliminação do câncer do colo do útero, incluindo a vacinação de 90% das meninas até os 15 anos, o rastreamento de 70% das mulheres até os 35 e 45 anos e o tratamento de 90% das lesões identificadas.

Implicações para políticas públicas

Os resultados do estudo reforçam a necessidade de investimentos em prevenção, diagnóstico precoce e tratamento, especialmente nas regiões mais vulneráveis. A expansão da vacinação contra o HPV e o fortalecimento dos programas de rastreamento são medidas essenciais para reduzir a incidência e a mortalidade da doença. Sem ações coordenadas, o mundo pode não atingir as metas de eliminação propostas pela OMS.

A publicação na Nature Medicine traz um alerta para gestores de saúde e para a sociedade. O câncer do colo do útero é uma doença evitável e tratável quando detectada precocemente. A continuidade das tendências atuais, no entanto, aponta para um futuro com mais casos e mais mortes, especialmente entre as populações mais pobres.

Para o leitor, a mensagem é clara: a prevenção começa com informação e acesso aos serviços de saúde. Mulheres devem realizar o exame preventivo regularmente e, quando disponível, receber a vacina contra o HPV. A conscientização é um passo fundamental para mudar o cenário projetado pelo estudo.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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