MP pede prisão de Coronel dos Bombeiros acusado de intimidar sargentos em caso de assédio no RJ
Oficial utilizou número de terceiros no WhatsApp para tentar silenciar subordinadas. Justiça Militar já determinou medidas cautelares rigorosas enquanto analisa o pedido de prisão preventiva.

A 1ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar ofereceu denúncia, na última terça-feira (4), contra o coronel do Corpo de Bombeiros Lauro César Botto Maia. O oficial superior é acusado de ameaçar e coagir quatro sargentos da corporação que atuam como testemunhas em uma investigação interna que apura denúncias de assédio sexual contra ele.
O Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu a decretação da prisão preventiva do coronel. O pedido de reclusão será analisado pelo Juízo da Auditoria da Justiça Militar, que recebeu a nova denúncia nesta quarta-feira (5).
A Dinâmica das Ameaças
De acordo com as investigações, as intimidações ocorreram no dia 29 de junho de 2026. O coronel teria enviado mensagens via WhatsApp para as testemunhas utilizando um número registrado em nome de terceiros e identificando-se sob o pseudônimo “Marcos João”.
Nas mensagens, o oficial:
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Demonstrou conhecimento privilegiado sobre a investigação interna, citando depoimentos já prestados e circunstâncias dos fatos apurados.
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Afirmou que as militares estariam sendo “utilizadas por terceiros”.
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Sugeriu que as sargentos reavaliassem suas posições, alertando que ainda haveria tempo para “reparar o dano”.
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Fez referências diretas aos familiares das militares, o que gerou grave temor nas vítimas.
A acusação do MPRJ ressalta que o potencial intimidatório das mensagens é agravado pela forte assimetria de poder e hierarquia entre o denunciado (um coronel da corporação) e as testemunhas (mulheres que ingressaram recentemente na carreira militar).
O Caso Original: Assédio Sexual
As intimidações tentavam interferir em um processo originado por denúncia do Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública (Gaesp), oferecida em julho. O coronel é acusado de enviar mensagens de conteúdo inadequado a uma subordinada entre o final de 2024 e julho de 2025, com o objetivo de obter favorecimento sexual.
A denúncia por assédio já foi aceita pela Justiça. O juiz Carlos Eduardo Carvalho de Figueiredo, responsável pelo caso, destacou que a acusação apresentou suporte probatório mínimo exigido para a instrução processual, descrevendo com precisão o tempo, o local e a conduta delituosa do denunciado. Embora a ação penal tenha sido iniciada, o pedido de prisão preventiva referente a este crime específico não havia sido aceito pela Justiça na ocasião.
Medidas Cautelares
Diante dos novos fatos e das ameaças às testemunhas, a Justiça Militar acatou os pedidos do Ministério Público e determinou uma série de medidas cautelares rigorosas contra o coronel Lauro César Botto Maia, enquanto o novo pedido de prisão preventiva é analisado.
Entre as restrições impostas estão:
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Suspensão imediata do porte de arma de fogo.
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Proibição absoluta de contato com a vítima e com as testemunhas.
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Proibição de ingresso no quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros.
- Proibição de fazer qualquer referência pública às pessoas envolvidas no caso.
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