Nas férias ou na sala de aula, o segredo é aprender brincando
As férias de julho trouxeram um desafio: como tirar as crianças do celular. Com tempo livre e sem a rotina escolar, o aparelho vira companhia em período integral. Em Curitiba, a Escola Willy Janz decidiu enfrentar a questão pelos dois lados.

As férias de julho trouxeram um desafio conhecido para as famílias brasileiras: como tirar as crianças do celular. Com tempo livre e sem a rotina escolar, o aparelho vira companhia em período integral. Em Curitiba, a Escola Willy Janz decidiu enfrentar a questão pelos dois lados. Neste mês, a colônia de férias da instituição reuniu crianças em brincadeiras, arte e esporte, longe das telas. E, no segundo semestre, a escola começa a usar o Educaverso, plataforma de metaverso educacional em que os alunos aprendem jogando.
“A tecnologia faz parte da vida das crianças e não adianta fingir que ela não existe. O que precisamos é ensinar o uso com propósito. Mas uma coisa nunca vai sair de moda: o brincar. A brincadeira não é passatempo, é a forma mais poderosa que a criança tem de aprender sobre o mundo e sobre si mesma”, afirma André Ceruzi, diretor da Escola Willy Janz.
Para o educador, as férias são o momento ideal para resgatar esse repertório. Correr, inventar histórias, jogar bola, desenhar e conviver com outras crianças desenvolvem habilidades que nenhum aplicativo substitui. “Quando a criança brinca, ela negocia regras, lida com frustração, cria soluções e fortalece vínculos. É desenvolvimento físico, social e emocional acontecendo ao mesmo tempo”, explica o diretor.
Como reduzir o tempo de tela
Ceruzi lembra que o exemplo dos adultos pesa mais do que qualquer regra. Se os pais passam o dia no celular, a criança entende que esse é o comportamento esperado. A recomendação é combinar horários de uso, propor alternativas atrativas e reservar momentos de convivência sem aparelhos, como as refeições.
“Proibir sem oferecer nada no lugar não funciona. A criança precisa de opções que despertem interesse de verdade. Por isso a colônia de férias faz tanto sucesso: ali ela descobre que se divertir com os amigos, no mundo real, é muito melhor do que qualquer vídeo”, diz o diretor.
Tecnologia com propósito na sala de aula
Se em casa o desafio é o equilíbrio, na escola a tecnologia entra como aliada da aprendizagem. A partir do segundo semestre, a Willy Janz passa a utilizar o Educaverso, plataforma brasileira de metaverso educacional que transforma os conteúdos em experiências gamificadas. Nela, os alunos exploram um ambiente 3D interativo e aprendem por meio de jogos e missões.
Desenvolvido por uma equipe brasileira de criadores de jogos, o Educaverso funciona como um game de verdade, com acesso por celular, tablet, computador e óculos de realidade virtual. Dentro de um mundo aberto em 3D, os professores criam e gerenciam as aulas, que se transformam em aventuras interativas para as turmas. A ferramenta também permite acompanhar o desempenho de cada estudante, o tempo de uso e as atividades realizadas, o que ajuda a equipe pedagógica a identificar avanços e dificuldades de forma individualizada. Na prática, o recurso pode ser aplicado em diferentes disciplinas: um conteúdo de história vira uma expedição pelo cenário estudado, a matemática se transforma em desafio dentro do ambiente virtual e temas de ciências podem ser explorados em simulações.
“O caminho é o mesmo dentro e fora da tela: aprender brincando. O Educaverso traz para a sala de aula a linguagem que as crianças já dominam, só que com intenção pedagógica. Em vez de competir com o jogo, a escola transforma o jogo em conhecimento”, afirma Ceruzi.
Na avaliação do diretor, o papel da escola é formar alunos capazes de lidar com o recurso digital com senso crítico. “A pergunta não é se as crianças vão usar tecnologia, porque elas já usam. A pergunta é se vão usar bem. E isso se aprende com orientação, na escola e em casa”, conclui.
Sobre a Escola Willy Janz
Com mais de 30 anos de tradição no bairro Uberaba, em Curitiba, a Escola Willy Janz atende crianças da educação infantil ao ensino fundamental. A proposta pedagógica se apoia nos pilares da inovação, tradição e uma educação completa, que integra conhecimento, esporte, cultura e tecnologia.
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