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Novo Contorno de PG: Condema alerta para riscos ao abastecimento de água e propõe traçado alternativo

O projeto do novo Contorno Rodoviário de Ponta Grossa entrou em uma fase decisiva de debate técnico. Com um investimento estimado em R$ 1 bilhão, a obra é considerada uma das maiores e mais importantes intervenções estruturantes dos Campos Gerais.

No entanto, a proposta atual tem gerado discussões intensas sobre o equilíbrio entre o desenvolvimento logístico e a preservação ambiental.

Em entrevista ao BNT Online, o presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente (Condema), Robson Klimionte, detalhou as preocupações levantadas em reunião estratégica realizada na última quinta-feira (16), na ACIPG, junto ao Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social.

 O Traçado da Concessionária X Proposta Local

Atualmente, existem duas visões sobre os 41 quilômetros de rodovia que formarão o contorno norte. De um lado, o traçado proposto pelo grupo CCR (via Motiva); de outro, a alternativa defendida por entidades locais e pelo Conselho de Desenvolvimento.

O ponto mais crítico apontado por Klimionte é a interferência no sistema de água da cidade. O traçado da concessionária passaria exatamente sobre os pontos de transposição do Alagado e do Rio Pitangui, responsáveis por quase 100% do abastecimento de Ponta Grossa.

“A rodovia vai transpor, por cima, as adutoras e a estação de tratamento. Se houver um acidente com produtos químicos ou problemas durante a obra, podemos comprometer a saúde pública e travar o crescimento da cidade por falta de água”, alerta o presidente do Condema.

A “Muralha” contra a Expansão Urbana Desordenada

O Condema defende que o contorno seja feito o mais longe possível do perímetro urbano atual, margeando a Escarpa Devoniana (na região da Rodovia do Talco e Embrapa).

  • Barreira Natural: O objetivo é que a rodovia funcione como uma “muralha”. A cidade cresceria até o contorno, mas não o ultrapassaria devido à proteção ambiental da escarpa.

  • Mobilidade: Evitar o que acontece hoje no Contorno Leste, onde a rodovia virou uma “avenida interna” tomada por trânsito urbano, ônibus e pedestres indo ao supermercado, o que aumenta o risco de acidentes fatais.

 Proteção da Fauna

Outro questionamento formal enviado à concessionária diz respeito aos “bichodutos”. O conselho exige que o projeto contemple passagens de fauna eficientes para evitar o atropelamento de animais silvestres, equinos e bovinos, garantindo a chamada “saúde única” (integração entre saúde humana, animal e ambiental).

Próximos Passos e Mobilização

O Condema está elaborando um parecer técnico robusto que será encaminhado à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Governo do Estado. A intenção é unir forças com o Sindicato Rural, ACIPG e outras entidades para garantir que a voz da população seja ouvida.

No próximo dia 24 de abril, uma reunião crucial em Curitiba discutirá o traçado final. “Não adianta fazermos algo agora que resolva o trânsito hoje, mas crie um desastre ambiental amanhã. Precisamos pensar a cidade para os próximos 50 anos”, finaliza Klimionte.

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