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Política

Novo tarifaço já preocupa indústrias dos Campos Gerais

Setor madeireiro, um dos pilares da economia regional, teme perda de competitividade após novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos

Novo tarifaço já preocupa indústrias dos Campos Gerais
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O novo tarifaço anunciado pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já provoca apreensão entre empresários e lideranças dos Campos Gerais. A preocupação é maior em municípios cuja economia depende fortemente da indústria de base florestal e da transformação da madeira, como Jaguariaíva, Arapoti, Telêmaco Borba, Sengés e Ponta Grossa.

Nesta quarta-feira (16), a administração norte-americana confirmou a aplicação de uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos brasileiros, medida que passa a valer a partir de 22 de julho. Em alguns segmentos, as cobranças podem ser ainda maiores devido à possibilidade de incidência de uma tarifa adicional de 12,5%, elevando o custo total para até 37,5% em determinados produtos.

Nos Campos Gerais, o anúncio acendeu um sinal de alerta principalmente para a cadeia produtiva da madeira, um dos principais motores econômicos da região e responsável por milhares de empregos diretos e indiretos.

Setor madeireiro é um dos mais afetados

O prefeito de Jaguariaíva, Juca Sloboda, afirmou ao BnT Online que o município acompanha o cenário com preocupação e ainda levanta informações sobre quais produtos serão diretamente atingidos.  “Ainda estamos investigando, mas com certeza vai ter impactos em toda a região. A madeira faz muito produto, então estamos avaliando quais foram taxados e quais os impactos disso, mas com certeza será grande. Estamos apreensivos e avaliando o cenário, para só então nos manifestarmos”, afirmou.

Segundo o prefeito, a experiência recente mostra que medidas comerciais dessa natureza afetam diretamente municípios exportadores. “A cidade já sofreu muito com o último tarifaço”, relembrou.

A região dos Campos Gerais concentra algumas das maiores indústrias brasileiras de produtos florestais, incluindo madeira serrada, painéis, molduras, pisos, compensados, móveis e produtos destinados ao mercado internacional. Os Estados Unidos figuram entre os principais compradores desses itens.

Especialistas avaliam que o aumento dos custos tende a reduzir a competitividade dos produtos brasileiros frente aos concorrentes de outros países, podendo provocar diminuição das exportações, revisão de contratos e desaceleração da produção.

Empresas aguardam detalhamento

Embora o governo norte-americano tenha divulgado uma lista de produtos isentos — como café, carne bovina, laranja, suco de laranja e componentes aeronáuticos — diversos produtos industriais permanecem sujeitos às novas tarifas. Entre eles estão diferentes itens ligados ao setor madeireiro, máquinas e outros manufaturados.

A expectativa agora é pela publicação detalhada da relação completa de mercadorias atingidas, permitindo que empresas brasileiras dimensionem o impacto financeiro e comercial.

Entenda o histórico

O novo tarifaço é resultado de uma investigação iniciada pelos Estados Unidos em 2025 com base na chamada Seção 301 da Lei de Comércio norte-americana. Washington alega que determinadas políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate à corrupção, tarifas preferenciais e questões ambientais prejudicam empresas americanas.

Após meses de negociações sem acordo, o governo Trump decidiu aplicar as novas tarifas sobre milhares de produtos brasileiros. O governo brasileiro reagiu classificando a medida como injustificada e informou que pretende utilizar a chamada Lei da Reciprocidade Econômica, além de recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), caso não haja avanço nas negociações diplomáticas.

Para municípios dos Campos Gerais, onde a indústria de base florestal possui forte participação na geração de empregos, renda e arrecadação, o momento é de acompanhamento permanente dos desdobramentos.

Enquanto empresários calculam possíveis prejuízos e reavaliam contratos internacionais, lideranças políticas e entidades do setor defendem uma atuação rápida do governo federal para preservar a competitividade das exportações brasileiras e minimizar os impactos econômicos sobre uma das regiões mais industrializadas do Paraná.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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