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O Paraguai de menos impostos vendeu sonhos, mas entregou pesadelos, por Gleidson Carlos

Migração de empresários brasileiros para o Paraguai atrai pela baixa tributação, mas crise bancária levanta dúvidas sobre a segurança dos investimentos.

O Paraguai de menos impostos vendeu sonhos, mas entregou pesadelos, por Gleidson Carlos
Foto: Reprodução
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A migração de empresários brasileiros para o Paraguai costuma ser apresentada como uma demonstração de que o país vizinho descobriu a fórmula para atrair investimentos. Impostos menores, legislação trabalhista menos onerosa, energia competitiva e menos burocracia formam uma combinação que, aos olhos de quem empreende no Brasil, parece um verdadeiro paraíso empresarial. Mas é preciso separar oportunidade de segurança.

O Paraguai tem aproximadamente US$ 49 bilhões de PIB, enquanto o Brasil ultrapassa US$ 2,2 trilhões. São economias incomparáveis em dimensão, mercado consumidor, infraestrutura e sistema financeiro.

O empresário brasileiro quer produzir mais, pagar menos impostos e ampliar sua margem de lucro. É legítimo! O problema é imaginar que uma carga tributária menor, por si só, representa um ambiente econômico mais seguro.
A recente crise bancária paraguaia, envolvendo a financeira Ueno, com investigação criminal, questionamentos sobre a supervisão financeira e a saída do presidente do Banco Central, trouxe à tona justamente essa discussão. A instabilidade institucional tem consequências sobre a confiança, o crédito e os investimentos.

Não se trata de desqualificar o Paraguai, que apresenta crescimento econômico e avanços na atração de capital. Trata-se de reconhecer que um país em expansão também carrega riscos e limitações que não podem ser ignorados.

O Brasil tem seus problemas conhecidos: tributação complexa, burocracia, juros e custos elevados. Mas também oferece um mercado gigantesco, instituições financeiras consolidadas e uma estrutura econômica que não se constrói da noite para o dia.

O capital procura rentabilidade, mas precisa de garantias. Afinal, de que adianta economizar nos impostos se, diante de uma crise, a segurança do investimento fica em dúvida?

O Paraguai pode ser uma oportunidade de expansão. Transformá-lo em modelo absoluto de desenvolvimento, porém, é outra história.

 

Leia também: O espólio do bolsonarismo e o dilema de Tarcísio, por Gleidson Carlos

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Gleidson Carlos
Autoria
Gleidson Carlos
Gleidson Carlos Greinert é jornalista formado em Comunicação Social desde 2014. Atua como escritor/articulista político, radialista e presta assessoria de imprensa e marketing. Ele é pós-graduado em Ciência Política.
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