Embora o governador Ratinho Júnior tente vender a ideia de que não há fissuras com o PL, os movimentos recentes indicam muito mais uma operação de contenção de danos do que propriamente uma unidade sólida no campo bolsonarista.
Ao não embarcar na pré-candidatura de Flávio Bolsonaro e, ao mesmo tempo, acenar com apoio ao deputado federal Filipe Barros ao Senado, Ratinho joga um xadrez típico do centrismo: mantém pontes com o bolsonarismo raiz sem se comprometer integralmente com ele. É menos fidelidade ideológica e mais cálculo político.
O recado parece claro. O governador quer o PL por perto para neutralizar o avanço do senador Sérgio Moro no Paraná, onde o ex-juiz lidera os cenários para o governo estadual. Nesse contexto, preservar a aliança com a legenda comandada no estado por Fernando Giacobo vira peça estratégica, não gesto de alinhamento automático ao projeto nacional bolsonarista.
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Ao mesmo tempo, Ratinho se movimenta como presidenciável dentro do PSD de Gilberto Kassab, e, nas pesquisas, aparece melhor posicionado que Eduardo Leite e Ronaldo Caiado.
O ponto sensível é outro. Esse arranjo pode até preservar a base de Ratinho no curto prazo no Estado, mas dificilmente resolve a tensão estrutural dentro do PL. O núcleo mais ideológico do partido não costuma operar apenas com lógica! Se perceber que o projeto presidencial de Flávio está sendo apenas tolerado e não efetivamente abraçado, a tendência é de apoio protocolar na superfície e militância fria na prática.
No fim, Ratinho aposta que consegue equilibrar todos os pratos: conter Moro no Paraná, manter o PL por perto e, ao mesmo tempo, pavimentar sua própria candidatura ao Planalto. É uma engenharia política sofisticada, mas como mostra a experiência recente da direita brasileira, alianças excessivamente táticas costumam cobrar a fatura justamente quando a campanha está em curso.
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