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Operário ameaça deixar a FFU após receber apenas 10% do valor pago ao Londrina

Operário Ferroviário aciona o Cade, cobra igualdade na FFU e diz que recebeu apenas 10% do valor pago a outros clubes da Série B, como o Londrina.

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Foto: Nelson Terme/ CBF
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O Operário Ferroviário vive um momento decisivo nos bastidores do futebol brasileiro. O clube de Ponta Grossa confirmou que notificou oficialmente a Futebol Forte União (FFU) sobre sua intenção de deixar a liga caso não haja revisão dos valores recebidos pelos direitos comerciais. Paralelamente, o Fantasma também acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para garantir representação própria no processo que discute a estrutura da entidade.

Apesar da movimentação jurídica, o presidente do Grupo Gestor do Operário, Álvaro Góes, esclareceu que o clube ainda não oficializou sua saída da FFU.”O Operário não saiu. O Operário notificou a liga. Tanto que eu estou indo para a reunião amanhã. Vou participar normalmente porque isso é muito interessante para nós. Nós notificamos a liga da nossa intenção, mas não saímos ainda”, afirma.

Segundo Álvaro, o objetivo do clube é buscar um acordo que garanta tratamento financeiro igual ao concedido aos demais integrantes da Série B. “A posição do Operário hoje é tentar sair fora da liga. Por quê? Porque o Operário recebeu 10% do que receberam os times da Série B.”

O dirigente afirma que a principal insatisfação está relacionada ao momento em que o contrato foi firmado. Conforme explicou, quando o Operário aderiu ao acordo coletivo, o clube já disputava a Série B do Campeonato Brasileiro. “Quando nós fizemos o contrato e assinamos, nós já estávamos na Série B. Quando chamaram o Operário para fazer a negociação, nós estávamos na Série B.”

Ainda conforme Álvaro Góes, posteriormente a liga alterou os critérios de remuneração, reduzindo significativamente a participação financeira destinada ao clube ponta-grossense. “Depois que nós caímos, cancelaram o valor. Quando voltamos para a Série B disseram que o Operário receberia apenas R$ 3 milhões, R$ 3,5 milhões.”

O presidente destacou que esse montante representa apenas cerca de 10% do valor pago a outros clubes da Série B, citando o Londrina, um dos principais rivais estaduais do Fantasma, como exemplo de equipe que recebeu uma cota muito superior. Segundo ele, essa diferença não encontra justificativa diante das condições existentes quando o contrato foi firmado.

Álvaro também argumenta que, em apenas dois anos, a FFU já recuperou, por meio das receitas comerciais, o investimento realizado na aquisição dos direitos do Operário. “Em dois anos de contrato com a liga, ela já recebeu o valor que pagou para nós.”

Caso não haja revisão dos valores, o dirigente afirma que o Operário pretende exercer o direito de recompra dos ativos negociados anteriormente.”Se eles não aceitarem pagar o que o Operário tem direito, o Operário vai cair fora. Para nós não interessa essa liga. Ou eles pagam o valor que todo mundo recebeu na Série B, ou o Operário toca a vida dele. Paga a recompra e acabou o assunto.”

Nos últimos dias, o clube também ingressou junto ao Cade buscando garantir representação jurídica própria no processo que analisa a estrutura da Futebol Forte União, movimento que amplia a pressão sobre a entidade em meio às discussões envolvendo a distribuição dos recursos entre os clubes participantes.

A expectativa é que novas reuniões ocorram nos próximos dias para tentar uma composição entre o Operário e a FFU. Até o momento, o clube segue integrando a liga, embora mantenha oficialmente a notificação e a cobrança por uma revisão dos valores pagos.

Diogo Laba
Autoria
Diogo Laba
Jornalista formado pela UEPG, atuo como repórter no BnT Esporte Clube e no jornalismo diário do BnT. Comprometido com uma cobertura responsável, dinâmica e pautada pela qualidade da informação.
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