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Política

Projeto pode reduzir em mais de 60% gratificação de servidores rurais em PG, diz sindicato

Sindserv afirma que trabalhadores que recebem até R$ 3,5 mil pelo deslocamento podem passar a ganhar valores entre R$ 500 e R$ 700; base do governo diz que mais servidores serão beneficiados

Projeto pode reduzir em mais de 60% gratificação de servidores rurais em PG, diz sindicato
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Um projeto encaminhado pela Prefeitura de Ponta Grossa pode provocar uma redução superior a 60% na gratificação por parte dos servidores municipais que trabalham em escolas da zona rural. O alerta foi feito pelo Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Ponta Grossa (Sindserv) durante a sessão da Câmara desta segunda-feira (3).

O Projeto de Lei 250/2026 cria uma gratificação de difícil acesso para funcionários que precisam se deslocar até unidades localizadas em regiões como Guaragi, Itaiacoca, Vila Velha e Periquitos.

Segundo o vice-presidente do Sindserv, Profº Eliel Padilha, aproximadamente 80 servidores trabalham atualmente nas escolas rurais. Parte deles não recebe qualquer valor adicional pelo deslocamento e seria beneficiada pela nova gratificação. Entretanto, trabalhadores que já recebem pelas chamadas horas in itinere poderiam sofrer uma redução significativa nos vencimentos.

Valores podem cair para até R$ 500

De acordo com o sindicato, alguns servidores recebem atualmente entre R$ 2 mil e R$ 3,5 mil devido ao tempo e à distância percorrida até as escolas rurais. Com a criação de um valor fixo, a gratificação poderia ficar entre R$ 500 e R$ 700, dependendo da localização da unidade.

“O projeto é bom para quem não recebe, mas, para aquele servidor que já recebe, ele é prejudicial, porque corta em mais de 60% o que hoje esse servidor recebe”, afirmou Eliel durante a Tribuna Livre. O representante sindical destacou que alguns funcionários atuam nessas comunidades há mais de 20 anos e enfrentam diariamente longos deslocamentos para chegar ao local de trabalho.

Sindicato pede retomada dos pagamentos

O Sindserv também afirmou que os pagamentos atuais teriam sido interrompidos e solicitou que a Prefeitura retome os repasses enquanto o projeto é analisado. O sindicato pediu ainda que o Executivo encaminhe um substitutivo geral corrigindo os pontos considerados prejudiciais aos trabalhadores.

Segundo Eliel, servidores chegaram a considerar a paralisação das atividades e o fechamento temporário das escolas para acompanhar o debate na Câmara, mas o sindicato optou inicialmente pelo diálogo. “A maioria queria fechar as escolas e vir para cá. Mas falamos para ir devagar e conversar, porque não queremos que isso seja feito de forma abrupta”, declarou.

Vereadores apresentam versões diferentes

Durante o debate, vereadores ligados à base do governo afirmaram que o projeto permitirá que novos servidores passem a receber a gratificação. Um dos argumentos apresentados é que a maioria dos funcionários seria beneficiada, enquanto um grupo menor teria redução nos valores.

O líder do governo na Câmara, Pastor Ezequiel, afirmou que conversará com o Poder Executivo. Segundo ele, uma mudança feita diretamente pelos vereadores poderia ser considerada inconstitucional, sendo necessário que a própria Prefeitura envie um substitutivo ao projeto.

“Vamos conversar com o Executivo. Realmente tem que ser por substitutivo geral. Qualquer emenda aqui pode ser inconstitucional”, declarou. O PL 250/2026 não foi votado durante a sessão desta segunda-feira. O tema foi apresentado na Tribuna Livre e deverá voltar a ser discutido durante a tramitação nas comissões e no plenário da Câmara.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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