Organizações pedem investigação sobre papel em churrasqueira de Ciro
Organizações de controle pedem que o ministro Flávio Dino investigue se nomes em papel achado na churrasqueira de Ciro Nogueira têm relação com o Orçamento Secreto. Deputados citados negam envolvimento.

Um grupo de organizações que monitoram as contas públicas brasileiras formalizou, nesta terça-feira (15), um pedido para que o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino abra uma investigação para verificar se os nomes encontrados num papel dentro da churrasqueira do senador Ciro Nogueira (PP-PI) estão relacionados com o “Orçamento Secreto”. O pedido foi encaminhado pela Transparência Internacional – Brasil, Transparência Internacional e Associação Contas Abertas.
Durante a 5ª fase da Operação Compliance Zero, a Polícia Federal encontrou uma lista com “nomes” de deputados e prováveis “valores” em um conjunto de documentos que estava na churrasqueira da casa do senador. O pedido foi feito ao ministro Dino porque ele é o responsável pelo inquérito que analisa a má aplicabilidade das emendas parlamentares.
Papel com nomes e valores intriga investigadores
Na casa do senador em Brasília, uma funcionária disse ter sido orientada por Ciro a queimar os documentos encontrados na churrasqueira por serem velhos, “o que não foi feito por ausência de tempo hábil por parte da funcionária doméstica”, segundo a PF. O relato da Polícia Federal não tem informação sobre quando Ciro Nogueira teria instruído a funcionária a incinerar os papéis.
Entre os documentos encontrados, está um papel que traz apenas primeiros nomes em uma lista intitulada como “Câmara”, acompanhado de números que, segundo a PF, “provavelmente” são “valores”. Papel encontrado na churrasqueira de Ciro Nogueira contém ‘nome’ de deputados e números que, provavelmente, são ‘valores’, segundo a PF — Foto: Reprodução.
“Ressalte-se que, ao lado de cada nome, há números e, em seguida, valores (provavelmente), o que carece de esclarecimento”, continuou a equipe policial. Apesar da Polícia Federal não afirmar que há relação existente entre os nomes, os valores e o senador Ciro Nogueira, as organizações entendem que a informação se refere a “distribuição de valores entre parlamentares e outras pessoas”.
Organizações citam histórico de Eliana Nogueira
O pedido ainda lembra que a mãe e suplente do senador, Eliana Nogueira, “foi também uma das maiores beneficiárias do ‘Orçamento Secreto’, com R$ 400 milhões em indicações no segundo semestre de 2021”, durante o período em que o filho comandava a Casa Civil. “Importa relembrar que a celebração de acordos informais e obscuros para a distribuição de emendas parlamentares foi declarada incompatível com o ordenamento jurídico brasileiro por esta Suprema Corte”, finaliza.
As entidades pedem que o STF determine diligências para esclarecer a origem e o significado da lista, além de apurar se houve tentativa de destruição de provas. O caso ganha relevância diante das investigações sobre o Orçamento Secreto, esquema revelado em 2022 que distribuiu bilhões em emendas sem transparência.
Deputados citados negam envolvimento
Em nota, a assessoria do deputado Arthur Lira (PP-AL) afirmou que o ex-presidente da Câmara “desconhece as anotações mencionadas e não pode responder por esse registro” encontrado pela PF. Em declaração encaminhada pela assessoria, o atual presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), classificou como “um absurdo” fazer uma associação do nome dele “a qualquer tipo de ilícito com base em um papel apócrifo”, cujo conteúdo e elaboração Motta diz desconhecer.
“Reafirmo: não sei do que se trata e repudio qualquer ilação nesse sentido. Confio nos órgãos responsáveis pelas investigações, a quem cabe responder pelas apurações. Não podemos permitir que inverdades se multipliquem, particularmente em período eleitoral”, completa a declaração de Motta enviada pela assessoria.
Ao g1, o deputado Elmar Nascimento (União Brasil-BA) disse repudiar “completamente” qualquer menção ao nome dele, sobretudo em uma anotação que classificou como “apócrifa”. Ele também ressaltou que não é do partido de Ciro Nogueira e nunca “fez política” com o senador do PP. “Estamos vivendo um momento policialesco, que está voltado à classe política. E que deveria estar voltado à conduta de maus policiais. Nunca tive qualquer relação que possa implicar que meu nome esteja em uma coisa dessas”, declarou.
O g1 também procurou as assessorias de Ciro Nogueira, Dr Luizinho e Isnaldo Bulhões. E tenta contato com as equipes dos demais citados. O espaço permanece aberto para a manifestação dos congressistas. A expectativa é que o ministro Flávio Dino analise o pedido nos próximos dias e decida se instaura ou não a investigação solicitada pelas organizações.
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