Após 48 horas, paciente tetraplégico segue sem vaga hospitalar
Paciente tetraplégico segue sem vaga hospitalar após mais de 48 horas na UPA Santa Paula. Família denuncia dificuldades; unidade afirma aguardar liberação da Central Estadual de Leitos.

Um paciente tetraplégico permanece internado na UPA Santa Paula, em Ponta Grossa, aguardando uma vaga hospitalar por meio da Central Estadual de Leitos. Segundo relato encaminhado pela família ao Portal BnT Online, ele deu entrada na unidade no último sábado e, mesmo após o prazo de 48 horas previsto para a regulação do leito, ainda não havia sido transferido até a publicação desta reportagem.
A família relata que o homem ficou cinco meses internado em um hospital de Curitiba após sofrer um grave acidente que o deixou tetraplégico. Ele recebeu alta na semana passada, mas precisou de atendimento médico poucos dias depois, sendo encaminhado para a UPA Santa Paula.
Conforme a denúncia, o paciente necessita de cuidados especializados permanentes, como mudanças frequentes de posição para prevenção de lesões por pressão, aspiração traqueal e equipamentos específicos. Os familiares afirmam que precisaram levar um colchão pneumático e um aspirador traqueal próprios, alegando que esses recursos não estavam disponíveis para o atendimento dele.
A denúncia também aponta dificuldades relacionadas à alimentação, ao posicionamento adequado do paciente e ao isolamento. Segundo a família, o paciente possui histórico de infecção por bactéria KPC e permaneceu inicialmente em áreas de observação antes de ser encaminhado para um leito de isolamento. Os familiares afirmam ainda que a falta de alguns cuidados específicos já teria provocado lesões na pele.
UPA DIZ QUE PACIENTE RECEBE ASSISTÊNCIA E AGUARDA VAGA
Em nota encaminhada ao Portal BnT Online, a assessoria das UPAs informou, por meio de nota, que o paciente permanece em observação na UPA Santa Paula, em leito de isolamento, conforme os protocolos institucionais, enquanto aguarda a definição de uma vaga em hospital de referência.
Segundo a unidade, até o momento não houve aceite de vaga pela Central Estadual de Regulação de Leitos, responsável pela gestão dos leitos hospitalares no Paraná. A nota ressalta que a definição do hospital de destino não compete à UPA nem ao Município.
Ainda conforme o posicionamento oficial, considerando que o tempo de espera ultrapassou o prazo previsto, o Ministério Público já foi acionado para auxiliar na viabilização da transferência.
Sobre os apontamentos feitos pela família, a UPA afirma que dispõe dos equipamentos mencionados na denúncia e que a unidade está estruturada de acordo com as exigências para o funcionamento de uma Unidade de Pronto Atendimento.
A assessoria também informa que, enquanto permanece na unidade, o paciente recebe assistência integral da equipe multiprofissional, incluindo cuidados de enfermagem, administração de medicamentos, dieta e demais procedimentos previstos nos protocolos institucionais.
COMO FUNCIONA A TRANSFERÊNCIA PELA CENTRAL DE LEITOS
De acordo com a nota enviada ao portal, a transferência de pacientes das UPAs para hospitais ocorre exclusivamente por meio da Central Estadual de Leitos. Quando o médico identifica a necessidade de internação clínica ou cirúrgica, o paciente é cadastrado na Central com todas as informações do quadro clínico. A solicitação é analisada por um médico regulador, que busca um leito compatível com a especialidade necessária.
Somente após um hospital aceitar o paciente e a Central Estadual de Leitos autorizar oficialmente a transferência é que a UPA pode realizar o encaminhamento. O prazo previsto para localização da vaga é de até 48 horas. Quando esse período é ultrapassado, a UPA aciona o Ministério Público, conforme fluxo previamente estabelecido entre as instituições.
SESA AINDA NÃO SE MANIFESTOU
O Portal BnT encaminhou pedido de posicionamento à Secretaria de Estado da Saúde do Paraná (Sesa), responsável pela Central Estadual de Regulação de Leitos, solicitando esclarecimentos sobre o motivo da demora na disponibilização da vaga, a situação atual do paciente, eventual previsão de transferência e as medidas adotadas para agilizar o atendimento.
Até a publicação desta reportagem, a Sesa não encaminhou a resposta. O espaço permanece aberto e a matéria será atualizada assim que houver manifestação oficial.
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