Passou, por Renata Regis Florisbelo
Reflexão poética sobre o tempo, despedidas e memórias que permanecem. Ausências que doem, mas seguem vivas no que fomos e no que não seremos mais.

O tempo passou, mas não passou o que por nós passou. Coisas que vivemos juntos, compartilhamos. Também o que deixamos de viver, o que pensamos ser. Inúmeras vezes não pensamos em nada, bastou viver os dias que vinham, o que nos pediam e sempre alguém pedia, outro alguém morria e partia e precisávamos nos despedir.
É estranho dizer adeus, parece fácil, e se descobre até aquele que se foi virou paisagem como uma paisagem numa tela na parede, uma obra que acolhe os olhos, mas que inalcançável está do corpo. Um mundo que não permite visitas ou exigente demais para que saibamos suas regras que nos permitem visitar.
Raras vezes quem foi embora deixou tantas marcas em quem ficou. Lembranças que cravam lacunas no tempo futuro. Ausências que rasgam a linha do tempo e impingem suas costuras mal cerzidas. O perfume da partida fica no ar, balança com as folhas no quintal e vertem com o outono que pinta a calçada de marrom.
Passou porque não passou e nunca passará.
Autoria: Renata Regis Florisbelo
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