Pesquisas mostram diminuição da vantagem de Flávio sobre Lula, por Gleidson Carlos
Pesquisas AtlasIntel e BTG/Nexus apontam redução da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula e acirram a disputa pela Presidência.

As duas pesquisas, AtlasIntel e BTG/Nexus, divulgadas nesta segunda-feira para a Presidência da República, mostram uma redução da vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula. As entrevistas foram realizadas no sábado, e a maior redução aparece na BTG/Nexus, onde a diferença caiu de 3,2 para 0,6 ponto percentual nos votos válidos. Na AtlasIntel, a distância também diminuiu, passando de 5,6 para 2,2 pontos percentuais.
Na BTG/Nexus, Flávio tem 50,3% dos votos válidos, contra 49,7% de Lula. Já na AtlasIntel, o senador aparece com 51,1%, enquanto o presidente registra 48,9%. Na prática, os dois levantamentos apontam um cenário de disputa bastante acirrada.
Mas o que pode explicar essa redução? As pesquisas começam a captar os efeitos de medidas como a redução da jornada de trabalho 6×1, aprovada pelo Senado Federal na semana passada. Mas, do ponto de vista estratégico, considero ainda mais importantes as medidas de Lula voltadas aos microempreendedores individuais, como o perdão de dívidas e o crédito de cinco mil reais via Pix. São iniciativas que podem ajudar a explicar a diminuição da vantagem de Flávio Bolsonaro.
Essas medidas alcançam uma parcela da população que entrou no universo do empreendedorismo e que, ao longo dos anos, possivelmente ascendeu economicamente, deixando as classes C e D. É um público que não necessariamente se beneficia de forma direta da redução da jornada de trabalho, mas que pode ser alcançado por políticas de crédito e renegociação de dívidas.
São esses os coelhos que Lula tira da cartola na tentativa de mexer no cenário eleitoral. E a redução da diferença nas pesquisas pode ser um primeiro sinal desse movimento, embora ainda seja cedo para atribuir a mudança a uma medida específica.
Além disso, as pesquisas divulgadas a partir de hoje devem começar a medir a percepção do eleitor sobre o confronto. O debate ficou muito aquém do que os eleitores indecisos poderiam esperar. Pouco se viu, de fato, de uma discussão consistente sobre ideias e propostas.
A estratégia predominante foi o desgaste da imagem do adversário, com acusações de corrupção de ambos os lados. O resultado foi um confronto que acabou prejudicando a discussão programática e deixando em segundo plano discussões sobre economia, segurança pública e saúde…
Agora, a questão é saber se o debate terá algum efeito nas intenções de voto ou se a disputa continuará sendo definida pela capacidade de cada campanha de apresentar medidas que conversem diretamente com a realidade econômica dos brasileiros.
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