PF indicia Jair e Eduardo Bolsonaro por obstrução de Justiça
Polícia Federal indicia Jair e Eduardo Bolsonaro por obstrução de Justiça e tentativa de golpe. Malafaia também é citado em relatório.

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em investigação sobre tentativa de obstrução de Justiça e suposta participação em atos golpistas. O caso também envolve o pastor Silas Malafaia, alvo de busca e apreensão no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro.
Segundo a PF, o indiciamento ocorre dentro do inquérito que apura a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos contra autoridades brasileiras. Os investigadores atribuíram a Jair Bolsonaro e ao filho os crimes de coação no curso do processo, obstrução de investigação de organização criminosa e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.
No relatório de 170 páginas, a Polícia Federal afirma ter encontrado no celular do ex-presidente um arquivo de texto editável (.docx) com minuta de pedido de asilo político ao presidente argentino Javier Milei. O documento teria sido modificado dois dias após a deflagração da Operação Tempus Veritatis, em fevereiro de 2024.
A investigação aponta que Bolsonaro descumpriu medidas cautelares diversas vezes, incluindo a proibição de uso de redes sociais. Segundo o relatório, ele teria ativado novo aparelho celular para continuar produzindo e divulgando mensagens, em parceria com aliados.
Entre as provas, estão diálogos que indicam que Malafaia teria incentivado Bolsonaro a compartilhar vídeos por listas de transmissão, buscando burlar restrições judiciais. Mensagens atribuídas ao pastor ainda mencionam possíveis retaliações contra ministros do STF e familiares.
A PF também destaca que Bolsonaro manteve contato com o ex-ministro Walter Braga Netto, preso desde dezembro de 2024, mesmo após determinação judicial que proibia comunicação entre eles. O relatório conclui que havia “manutenção e fortalecimento do vínculo” entre os investigados.
Com o indiciamento, o caso segue agora para análise do Ministério Público Federal, que decidirá se apresentará denúncia formal contra Jair e Eduardo Bolsonaro.
Leia também: Quaest: maioria vê governo Lula melhor que o de Bolsonaro























