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Política

Ambientalistas criticam validação da moratória da soja pelo STF

Organizações ambientais manifestaram preocupação com a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou parcialmente constitucionais duas leis estaduais que proíbem a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos às empresas. Para os críticos, as leis desestimulam compromissos de desmatamento zero e podem aumentar o desmate na Amazônia.

STF moratória da soja: ambientalistas criticam validação
Crédito: Folha De Pernambuco
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Organizações ambientais criticaram a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que considerou parcialmente constitucionais duas leis estaduais que proíbem a concessão de incentivos fiscais e de terrenos públicos às empresas. A medida reacendeu o debate sobre a moratória da soja e o compromisso com o desmatamento zero na Amazônia.

A reação veio de representantes de entidades como o Greenpeace Brasil, que apontaram contradições na decisão. O julgamento representa um novo capítulo na discussão sobre incentivos econômicos e proteção ambiental, com impactos potenciais para o setor produtivo e para a floresta.

Contexto da controvérsia

As leis questionadas foram consideradas parcialmente constitucionais, o que significa que nem todos os seus dispositivos foram validados. A decisão também reconheceu a constitucionalidade da Moratória da Soja, mas manteve restrições estaduais.

Esse cenário gerou críticas por parte de ambientalistas, que veem risco de retrocesso na agenda ambiental. A controvérsia central é se as normas estaduais podem coexistir com compromissos ambientais voluntários.

Reação dos ambientalistas

Leis desincentivam compromissos ambientais

Para Cristiane Mazzetti, as leis em questão desincentivam o engajamento do setor privado em compromissos de desmatamento zero atuais e futuros, dificultando o cumprimento dos objetivos climáticos do país.

A avaliação reflete a preocupação de que as normas estaduais possam minar acordos voluntários de proteção ambiental. O temor é compartilhado por outras entidades que atuam na defesa da floresta.

Ambientalistas argumentam que, ao proibir incentivos fiscais e de terrenos, os estados penalizam empresas que adotam práticas mais sustentáveis, criando um desestímulo direto à adesão a pactos ambientais.

Contradição apontada pelo Greenpeace

A gerente jurídica do Greenpeace Brasil, Angela Barbarulo, considerou contraditória a legitimação de leis que enfraquecem o acordo, considerado um marco fundamental para o compromisso com o desmatamento zero na Amazônia.

“Vejo com muita preocupação a declaração da constitucionalidade das leis estaduais que discriminam os compromissos ambientais de quem faz mais do que o mínimo exigido por lei”, disse.

A fala reforça a crítica de que as leis penalizam empresas que adotam padrões ambientais mais rigorosos. Para a organização, a decisão cria um ambiente de incerteza para o setor produtivo comprometido com a sustentabilidade e pode desencadear novas saídas do acordo.

Impacto no setor e na floresta

Empresas abandonam acordo voluntário

Desde que algumas leis estaduais passaram a vigorar, empresas importantes no setor decidiram abandonar o acordo voluntário. Um exemplo foi a saída da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), em janeiro deste ano.

A saída da entidade sinaliza um possível esvaziamento do pacto ambiental, o que preocupa especialistas e ambientalistas. O movimento pode reduzir o alcance de compromissos que ajudaram a conter o desmatamento na região amazônica, segundo avaliam os críticos das leis estaduais.

Estudo prevê desmatamento adicional

Um estudo recente publicado na revista Science estimou um desmatamento adicional de 1,4 milhão de hectares na Amazônia nos próximos dez anos, caso a Moratória da Soja fosse extinta.

Os dados reforçam a importância do acordo para a preservação da floresta. Diante desse cenário, a decisão do STF ganha ainda mais relevância para o futuro do bioma.

A projeção evidencia que a continuidade do pacto é considerada crucial para evitar danos ambientais de grande escala, servindo de alerta para os tomadores de decisão.

A decisão do Supremo em detalhes

  • Os ministros reconheceram a constitucionalidade da Moratória da Soja.
  • Determinaram a extinção de processos judiciais e administrativos que discutem supostas ilegalidades do acordo.
  • As leis estaduais que proíbem incentivos fiscais e de terrenos públicos foram consideradas parcialmente constitucionais, o que gerou a reação dos ambientalistas.

A decisão, portanto, apresenta um cenário complexo: mantém o acordo, mas permite restrições estaduais que podem enfraquecê-lo, na visão dos críticos.

O portal Boca no Trombone segue acompanhando os desdobramentos da decisão e trará novas informações assim que forem divulgadas.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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