Polícia Científica do Paraná recebe equipamento inédito contra falsificações
Apesar da instalação, a utilização rotineira do aparelho ainda depende da implementação e validação das metodologias de análise

A Polícia Científica do Paraná (PCIPR) passou a contar com um equipamento inédito entre as polícias científicas estaduais brasileiras, capaz de auxiliar na identificação de drogas, medicamentos e produtos falsificados ou adulterados. A tecnologia também poderá ser utilizada para analisar vinhos, azeites e bebidas alcoólicas, contribuindo para investigações criminais e exames laboratoriais.
O aparelho, chamado Bruker Fourier 80, foi instalado na Seção de Química Forense e utiliza a técnica de Ressonância Magnética Nuclear (RMN). O investimento foi de aproximadamente R$ 2 milhões, com recursos repassados integralmente pela Loteria do Estado do Paraná (Lotopar).
Com a aquisição, o Paraná se torna o primeiro estado brasileiro a incorporar essa tecnologia à estrutura de sua Polícia Científica. Até então, no âmbito da perícia oficial do país, o equipamento era utilizado apenas pela Polícia Federal.
Tecnologia permite identificar substâncias e adulterações
O espectrômetro de Ressonância Magnética Nuclear permite estudar a estrutura molecular de diferentes substâncias, fornecendo informações que auxiliam na identificação de compostos químicos e na análise de misturas.
Na prática, a tecnologia poderá ser empregada na identificação de drogas ilícitas, novas substâncias psicoativas, medicamentos, solventes e materiais de composição desconhecida.
Outra aplicação importante está na investigação de possíveis falsificações e adulterações de alimentos e bebidas. O equipamento pode identificar diferenças na composição química de produtos como vinhos, azeites e bebidas alcoólicas, fornecendo dados técnicos para as perícias.
Segundo o diretor-geral da Polícia Científica do Paraná, Ciro Pimenta, a aquisição representa um avanço na produção de provas científicas utilizadas em investigações criminais.
“Amplia o escopo de exames periciais e oferece novas possibilidades para a identificação e a caracterização de substâncias. Fortalecemos a produção de provas técnico-científicas e ampliamos o suporte aos procedimentos criminais, contribuindo para que as autoridades tenham informações qualificadas para a correta elucidação dos casos”, afirmou.
Exames poderão ganhar mais precisão
A nova tecnologia também poderá otimizar determinados procedimentos laboratoriais e auxiliar os peritos na escolha de exames complementares, dependendo das características das amostras analisadas.
A chefe da Química Forense da PCIPR, Gabriela de Moraes Pinto, explica que o equipamento amplia as possibilidades de investigação e funciona como uma ferramenta complementar aos métodos já utilizados pela instituição.
“Ele pode ser utilizado na identificação de drogas, medicamentos, solventes e substâncias desconhecidas, além de ajudar na análise de misturas. É uma ferramenta que complementa os equipamentos já existentes no laboratório e amplia nossas possibilidades de investigação, permitindo análises mais completas e resultados mais confiáveis”, destacou.
Apesar da instalação, a utilização rotineira do aparelho ainda depende da implementação e validação das metodologias de análise, além da capacitação dos profissionais responsáveis pela operação.
Investimento fortalece a ciência forense no Paraná
Para a coordenadora-geral do NAPI Segurança Pública e Ciências Forenses e diretora do Setor de Ciências Exatas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Caroline Da Ros, o investimento representa um marco na modernização da perícia criminal brasileira.
A especialista destaca que a tecnologia também abre possibilidades de colaboração científica entre instituições, inclusive por meio da integração a uma rede nacional de Ressonância Magnética Nuclear.
Essa integração poderá favorecer o compartilhamento de conhecimentos e ampliar a capacidade de resposta a investigações que exijam análises químicas especializadas.
A aquisição do equipamento foi financiada integralmente com recursos da Lotopar e faz parte do processo de modernização tecnológica da Polícia Científica do Paraná.
Com a nova estrutura, a instituição amplia seu potencial de produção de provas técnico-científicas e fortalece o apoio às investigações criminais realizadas em diferentes regiões do estado, incluindo Ponta Grossa e os Campos Gerais. (As informações são da Agência Estadual de Notícias)
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