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Polícia Civil desarticula esquema milionário de roubo de medicamentos contra o câncer

Quadrilha movimentou R$ 33 milhões em um ano, contava com o apoio bélico de facção criminosa e utilizava empresas de fachada para revender as cargas roubadas em todo o país.

Polícia Civil desarticula esquema milionário de roubo de medicamentos contra o câncer
Foto: G1.
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A Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro deflagrou, na manhã desta terça-feira (21), a Operação Metástase. A ação visa desmantelar uma organização criminosa interestadual especializada no roubo de medicamentos oncológicos e imunossupressores de alto custo. Até a última atualização desta reportagem, cinco pessoas já haviam sido presas.

Segundo as investigações conduzidas pela Delegacia de Roubos e Furtos de Cargas da Capital (DRFC-Cap), o grupo criminoso atuava com extrema violência, utilizava fuzis e batedores, e contava com o suporte territorial do Terceiro Comando Puro (TCP), facção que atua no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio.

A Dinâmica do Crime

A polícia identificou que a quadrilha era dividida em núcleos altamente organizados e sofisticados (roubadores, logístico-financeiro intermediário, logístico-financeiro final e suporte territorial). O esquema começava com o aliciamento de funcionários de transportadoras, que repassavam informações privilegiadas sobre as rotas das cargas de alto valor.

Após os roubos, as cargas eram levadas para o Complexo da Maré, onde ocorria o transbordo sob a proteção do TCP. A partir daí, o material era armazenado, fracionado e distribuído.

Para lavar o dinheiro e reinserir os medicamentos no mercado regular, o bando utilizava 25 empresas de fachada distribuídas em quatro estados. Segundo a polícia, os remédios roubados chegavam a ser revendidos para hospitais privados e até instituições públicas de saúde através de licitações, oferecendo valores abaixo do mercado.

“Esses marginais roubam medicamentos que muitas vezes têm como destino o abastecimento da rede pública de saúde. […] Não é só um crime contra o patrimônio ou contra a paz pública. Afeta diretamente pacientes que dependem desses medicamentos para o seu tratamento”, declarou o delegado André Prates.

A polícia estima que o grupo tenha participado de pelo menos 40 crimes semelhantes nos últimos seis meses, movimentando cerca de R$ 33 milhões entre 2025 e 2026.

Mandados, Prisões e Apreensões

A 1ª Vara Especializada em Organização Criminosa do Tribunal de Justiça do RJ expediu 5 mandados de prisão preventiva e 97 de busca e apreensão. A operação ocorreu de forma simultânea no Rio de Janeiro (capital e Baixada Fluminense), São Paulo (capital, Santo André e São Caetano do Sul), Goiás (Goiânia) e Pará (Belém).

A Justiça também determinou o bloqueio de R$ 30 milhões em contas bancárias, além do sequestro de imóveis e veículos de luxo. Em Santo André (SP), agentes encontraram medicamentos contra o câncer escondidos dentro de um veículo Jaguar, que foi apreendido.

Dos cinco presos na operação, três tiveram suas identidades reveladas e negam as acusações:

  • Stefano Montovani Fernandes: apontado como chefe do esquema, responsável por encomendar os roubos de cargas (dono do imóvel onde o Jaguar foi encontrado).

  • Fernanda Rodrigues França: apontada como integrante do núcleo de receptadores.

  • Umberto Xavier de Lima: também apontado como receptador do esquema.

Impactos no Rio de Janeiro

A entrada dos agentes no Complexo da Maré para o cumprimento dos mandados resultou em intenso tiroteio e barricadas incendiadas por criminosos na tentativa de dificultar o avanço policial.

A violência gerou impactos diretos na prestação de serviços essenciais na comunidade. De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, duas unidades de atenção primária precisaram suspender totalmente o funcionamento por questões de segurança. Outras duas unidades mantiveram o atendimento interno, mas suspenderam as visitas domiciliares na região.

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Igor Rugilo
Autoria
Igor Rugilo
Igor Rugilo é repórter policial no Boca no Trombone desde 2023. Com mais de uma década na comunicação, iniciou sua trajetória em 2013 como sonoplasta em uma rádio da cidade, onde despertou a paixão pela área policial. Tendo cursado Jornalismo na Unisecal, hoje dedica-se à cobertura de segurança pública, levando informação ágil aos leitores.
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