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Ponta Grossa

Ponta Grossa pode ganhar novo bairro planejado com mega infraestrutura

Projeto de Lei que altera o zoneamento de área próxima ao Aeroporto Sant’Ana é votado hoje na Câmara e prevê mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados

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A Câmara Municipal de Ponta Grossa vota hoje (21), em primeira discussão na Sessão Ordinária, o Projeto de Lei nº 399/2025, de autoria do Poder Executivo. A proposta autoriza a inclusão de uma vasta área rural no perímetro urbano do município, enquadrando-a como Área Urbana Isolada e Zona Mista 2 (ZM2). Na prática, a votação é o passo decisivo para viabilizar um megaprojeto urbanístico: um novo bairro planejado e autossustentável, idealizado pelo grupo desenvolvimento pi2 e pela Construtora Piacentini, que promete transformar o eixo de crescimento da cidade nas próximas décadas.

Localizado estrategicamente às margens da rodovia PR-151 (Rodovia Deputado João Chede), próximo ao Trevo do Guaragi e ao Aeroporto Sant’Ana — a cerca de 20 minutos do Centro —, o terreno compreende entre 8,5 milhões e 9 milhões de metros quadrados. O projeto vem sendo maturado desde 2018 e protocolado administrativamente desde 2020, tendo passado por análises técnicas, aprovação no Conselho Municipal da Cidade (por 8 votos a 7) e audiência pública em 2025, na qual obteve 91,4% de aprovação popular na enquete realizada.

O conceito de “Cidade de 5 Minutos” e R$ 6 bilhões em investimentos

Inspirado em modelos urbanísticos de sucesso, como a Cidade dos Lagos, em Guarapuava, o projeto propõe muito mais do que um simples loteamento: trata-se de uma nova centralidade urbana multissetorial. A estimativa dos proponentes é de que o bairro atraia mais de R$ 6 bilhões em investimentos privados de longo prazo, com potencial para abrigar entre 35 mil e 40 mil habitantes nos próximos 30 anos, podendo chegar a 70 mil moradores em sua consolidação total (estimada entre 50 e 70 anos).

Em entrevista exclusiva durante a apresentação do projeto às lideranças na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG), o sócio planejador do empreendimento, Ricardo Pimenta, detalhou a grandiosidade da infraestrutura prevista. “É um empreendimento gigantesco, de 9 milhões de metros quadrados, onde teremos muitos investimentos privados, estruturações públicas e áreas de lazer. A gente está planejando uma nova cidade: áreas públicas, lazer, saneamento, parques, praças, escolas, universidades, shopping center, shoppings a céu aberto e microcentralidades. É a ideia de uma ‘cidade de 5 minutos’, onde tudo o que você precisa fazer no seu dia a dia — trabalhar, estudar, viver — você consiga fazer em cinco minutos”, explica Pimenta.

O masterplan preliminar contempla diversas tipologias habitacionais (desde residências populares até condomínios de alto padrão), centros empresariais, hospitais, clínicas, centro de eventos, ciclovias, preservação de mata nativa e a revitalização de um lago existente, integrando o conceito de Smart City (Cidade Inteligente) com geração de energia limpa, iluminação em LED, conectividade gratuita em espaços públicos e gestão sustentável de recursos hídricos e resíduos.

Visão de futuro: “Plantando sementes para as próximas gerações”

Para a prefeita municipal, Elizabeth Schmidt, que encaminhou o projeto ao Legislativo, a iniciativa representa um marco que transcende o atual mandato e posiciona Ponta Grossa na vanguarda do desenvolvimento e da qualidade de vida. “É um projeto visionário, para longo tempo, de muitos e muitos anos — muito além da nossa gestão, sim —, mas que precisa estar plantando sementes. Precisa ser aprovado somente agora o zoneamento de rural para urbano. O que virá são inúmeras oportunidades, abertura de portas, mudança de conceitos e novas experiências“, destacou a prefeita.

Diálogo no Legislativo e atenção aos serviços públicos

Na Câmara Municipal, o PL 399/2025 já recebeu pareceres favoráveis das comissões de Finanças, Orçamento e Fiscalização (CFOF); de Obras, Serviços Públicos, Trânsito, Transporte, Mobilidade Urbana e Acessibilidade (COSPTTMUA); e de Agricultura, Pecuária, Indústria, Comércio, Turismo e Meio Ambiente (CAPIC).

Durante a tramitação, parlamentares também consultaram órgãos federais como a ANAC e o DECEA sobre a proximidade com o Aeroporto Sant’Ana, ficando estabelecido que o detalhamento técnico de edificações, controle de ruído e zonas de proteção aérea serão observados nas etapas subsequentes de aprovação de projetos e licenciamentos.

O presidente da Câmara Municipal, vereador Júlio Küller, ressaltou a postura de diálogo do Legislativo com o setor produtivo e a necessidade de garantir contrapartidas claras para os serviços públicos. “Em primeiro lugar, é importante dizer que a Câmara está parceira de um projeto de tão grande importância para o município de Ponta Grossa. Nós temos crescido e nos desenvolvido de uma forma fantástica, e já cabe um investimento desse porte“, afirmou Küller.

Rigor técnico e exigências urbanísticas

A aprovação da lei que altera o perímetro urbano é apenas o primeiro passo formal do processo urbanístico. Após o aval legislativo, cada etapa de implantação passará pelo crivo técnico da Prefeitura e do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Ponta Grossa (IPLAN), exigindo Estudos de Impacto de Vizinhança (EIV), licenciamentos ambientais e definição de obrigações dos empreendedores — que arcarão integralmente com os custos de infraestrutura interna e até mesmo com subsídios iniciais para linhas de transporte coletivo.

O diretor executivo do IPLAN, Rafael Mansani, reforça que a participação do órgão desde a concepção garante segurança jurídica ao município e rigor no cumprimento dos padrões de mobilidade e urbanismo. “As exigências que nós fazemos estão dentro da lei, dentro, por exemplo, do Manual das Calçadas. Se você observar a Arena [do Operário] hoje, ela tinha uma lateral de calçada e passeio de um metro; na sua aprovação, passou para três metros. Ou seja, nós estamos cobrando do empreendedor que ele forneça qualidade de vida para as pessoas que circundam o seu empreendimento“, pontuou Mansani.

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Heryvelton Martins
Autoria
Heryvelton Martins
Jornalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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