Pressão por impeachment de Moraes cresce no Senado
A crise institucional no STF e as manifestações de 7 de Setembro aumentaram a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para pautar o impeachment do ministro Alexandre de Moraes. Senadores de oposição exigem andamento imediato do processo, enquanto cerca de 60 pedidos permanecem sem encaminhamento.

A crise institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) e o sucesso das manifestações de 7 de Setembro aumentaram a pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para pautar a votação de um pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes no Senado. Os senadores de oposição ampliaram a ofensiva sobre Alcolumbre, exigindo o andamento imediato na Casa do processo de impedimento contra Moraes.
A possibilidade de Alcolumbre fazer o impeachment cruzado de ministros se baseia em análises de cenário e rumores de parlamentares, mas o senador não tratou dessa possibilidade publicamente em nenhum momento.
Oposição usa redes para cobrar andamento
Sem sessões no Congresso no momento, parlamentares da oposição vêm usando as redes sociais para fazer fortes manifestações públicas em favor do impeachment. A base oposicionista critica as manobras regimentais usadas por Alcolumbre em defesa de Moraes. Cerca de 60 pedidos de impeachment contra o ministro permanecem na gaveta da Presidência do Senado sem qualquer encaminhamento oficial. Além disso, o senador Carlos Viana (PSD-MG) solicitou formalmente a saída de Alcolumbre do comando do Senado, caso o presidente da Casa continue travando o plenário de deliberar o processo.
Levantamento aponta 39 senadores favoráveis
Segundo levantamento feito pela Gazeta do Povo, 39 dos 81 senadores afirmaram ser favoráveis ao impeachment de Moraes. Quatro disseram ser contra e 23 preferiram não se manifestar publicamente. Nos bastidores do Senado, a expectativa é de que o clamor popular consiga convencer mais senadores a apoiar o impeachment de Moraes. Especialmente se o julgamento no plenário do STF marcado para o próximo dia 15 não resultar em abertura de investigação interna contra Moraes.
Na ocasião, os ministros vão votar para determinar se Moraes deve ser investigado por suspeita de receber ao menos R$ 131 milhões para proteger o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Crise no STF alimenta debate político
O Supremo atravessa uma grave crise institucional. O ministro André Mendonça levou a público na semana passada um relatório da Polícia Federal com evidências de que Vorcaro pediu ajuda a Moraes para não ser preso, incluindo a contenção da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal. Moraes então usou relatórios de inteligência apócrifos produzidos dentro da Polícia Federal para tentar investigar Mendonça no Inquérito das Fake News, mas sua ação foi anulada pelo presidente do STF, Edson Fachin.
Depois disso, Mendonça determinou, em 8 de setembro, o afastamento cautelar do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do diretor de inteligência, Leandro Almada, por causa dos relatórios. Sua ação foi cancelada pelo ministro Flávio Dino.
Fachin tenta conter anarquia no tribunal
Fachin tentou então conter o clima de anarquia anulando as decisões tanto de Mendonça quanto de Dino, e ainda tirando de Moraes a relatoria do Inquérito das Fake News. Ele marcou para o dia 15 uma sessão do plenário para discutir as ações dos ministros. Ainda não está claro se o STF optará por investigar Moraes internamente ou se partirá para o abafamento do caso, sepultando investigações sob a alegação de que Mendonça não teria cumprido formalidades técnicas na investigação que apontou possíveis crimes de Moraes.
A imprevisibilidade do cenário no Supremo está alimentando a movimentação de parlamentares para um possível julgamento político se o STF fizer vistas grossas para as irregularidades.
Senadores citam exemplos de Collor e Dilma
“Esse tsunami de lama é incontrolável. Alexandre de Moraes não tem a menor condição de permanecer no STF e os omissos ou coniventes pagarão um preço imenso na história, começando pela destruição de suas próprias biografias”, disse o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) na rede social X. Carlos Portinho (PL-RJ) reforçou as manifestações e relembrou os processos de impeachment dos ex-presidentes Fernando Collor de Mello e Dilma Rousseff como exemplos a serem seguidos no Senado. “Estou usando todos os instrumentos que tenho para pressionar.
Porque foi assim, quando muitos estavam incrédulos, a pressão fez o impeachment de Collor e Dilma. Será novamente!”, clamou.
Fachin retira Moraes do Inquérito das Fake News
Na quarta-feira (9), o presidente do STF, Edson Fachin, retirou o ministro Alexandre de Moraes da condução do Inquérito das Fake News. A portaria assinada por Fachin estabeleceu novas regras para o processamento de investigações em andamento e sinalizou para seu fim por meio de arquivamento. A oposição necessita de 41 votos em plenário para aprovar a admissibilidade da denúncia em votação simples, caso Alcolumbre coloque o assunto em pauta. O desfecho da crise no STF e a resposta do Senado devem dominar o debate político nas próximas semanas.
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