Projeto ajuda presos monitorados a conseguir trabalho em Ponta Grossa
Estudo acompanhou 40 pessoas que cumprem pena fora da prisão; 57,5% conseguiram uma oportunidade de trabalho, mas vagas ainda são informais

Um projeto desenvolvido em Ponta Grossa tem ajudado pessoas que cumprem pena fora da prisão e são monitoradas pela Justiça a conseguir trabalho e renda. Segundo um estudo apresentado no II Seminário de Gestão em Segurança Pública do Paraná, 57,5% dos participantes atendidos pelo Projeto Canteiro de Trabalho foram encaminhados ao mercado de trabalho.
A pesquisa analisou 40 atendimentos realizados entre março de 2025 e março de 2026. Na prática, o índice apresentado significa que aproximadamente 23 pessoas conseguiram uma oportunidade de trabalho por meio da iniciativa.
Os participantes são pessoas que cumprem medidas determinadas pela Justiça em liberdade, com acompanhamento do sistema penal — como ocorre nos casos de monitoração eletrônica. Portanto, não são presos que permanecem dentro de uma penitenciária, mas pessoas que seguem regras judiciais enquanto tentam retomar a vida em sociedade.
Maioria permaneceu trabalhando
Entre os participantes que conseguiram trabalho, a taxa de permanência chegou a 73,9%. Isso representa aproximadamente 17 pessoas que continuaram exercendo a atividade após a inserção inicial. De acordo com o estudo, o Projeto Canteiro de Trabalho contribui para a geração de renda, organização da rotina e reintegração social dos monitorados.
O trabalho também pode ajudar a reduzir as dificuldades enfrentadas por quem deixa o sistema prisional ou passa a cumprir a pena fora da cadeia. A pesquisa destaca ainda a importância do acompanhamento feito por profissionais do Serviço Social. Eles auxiliam os participantes no acesso a direitos e fazem a ligação entre as pessoas atendidas e os serviços públicos disponíveis.
Trabalho ainda é informal
Apesar dos resultados positivos, o estudo também aponta problemas. As oportunidades oferecidas aos monitorados são informais e não possuem garantias trabalhistas, como carteira assinada e outros direitos previstos na legislação. Os participantes ainda enfrentam preconceito, vulnerabilidade social e falta de apoio familiar ou comunitário. Essas dificuldades podem prejudicar tanto a entrada quanto a permanência no mercado de trabalho.
Os pesquisadores defendem o fortalecimento de políticas públicas integradas para que essas pessoas tenham acesso a oportunidades formais, acompanhamento social e condições reais de reconstruir a vida longe da criminalidade. O estudo foi elaborado por Maysa Pinheiro de Ramos Pantaleão, com orientação de Felipe Fontana e coorientação de Karoline Dutra Szul.

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