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Política

PT mantém hegemonia na BA, CE e PI apesar de avanço bolsonarista

Os três estados nordestinos governados pelo PT — Bahia, Ceará e Piauí — reelegeram seus governadores no primeiro turno, consolidando-se como redutos do lulopetismo. Apesar do avanço de Flávio Bolsonaro na região, a base petista mostrou enraizamento profundo, sustentada por clientelismo e forte identificação com Lula.

PT mantém hegemonia na BA, CE e PI apesar de avanço bolsonarista
Crédito: www.gazetadopovo.com.br
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Bahia, Ceará e Piauí mantiveram a hegemonia do PT no Nordeste ao reelegerem seus governadores no primeiro turno das eleições de 2026. Os três estados, considerados os principais redutos do lulopetismo na região, resistiram ao avanço do bolsonarismo, representado por Flávio Bolsonaro, que ampliou sua votação em todos os estados nordestinos. Apesar do acirramento da disputa, o enraizamento da base petista permaneceu profundo, sustentado por estruturas políticas locais e forte identificação com o ex-presidente Lula.

Clientelismo e fator Lula explicam hegemonia

O fenômeno vai além da memória dos benefícios sociais e reproduz relações de clientelismo que ajudam a explicar a falta de alternância de poder. Adriano Oliveira, professor e analista eleitoral da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), destaca outros fatores. “São redutos fortes, são redutos fortes do petismo, mas tem algo a mais”, diz.

Além disso, segundo ele, existe o fator Lula. “No Nordeste, o voto é lulista antes de ser petista. É uma identificação de origem e trajetória nordestina com a avaliação pessoal de Lula.” Essa conexão emocional e histórica fortalece os candidatos do partido mesmo diante de adversários competitivos.

Bahia: disputa acirrada e virada petista

Na Bahia, a disputa foi mais acirrada do que nas eleições anteriores. Depois de perder para Jerônimo Rodrigues em 2022, o ex-prefeito de Salvador ACM Neto apostou no desgaste de quase duas décadas de governos do PT, concentrando os ataques na gestão estadual e, sobretudo, na segurança pública.

Já em 2022, Jerônimo precisou do segundo turno: terminou a primeira etapa com 49,45%, contra 40,80% de ACM Neto, e venceu a disputa com 52,79% contra 47,21%. Em 2026, a temperatura permaneceu alta. ACM chegou a aparecer numericamente à frente em pesquisas de setembro, mas não conseguiu capitalizar o desgaste.

O caso do Banco Master acrescentou uma nova frente à campanha baiana ao atingir os dois grupos: Jaques Wagner (PT) e integrantes de seu entorno foram colocados sob pressão pelas investigações. Por sua vez, ACM Neto passou a ser questionado pelos R$ 3,6 milhões recebidos do banco e da Reag por sua empresa, pagamentos que afirmou serem legais e referentes a serviços de consultoria. Wagner também negou qualquer irregularidade.

Para o Senado, Rui Costa e Jaques Wagner foram eleitos para as duas cadeiras. Rui recebeu 4,33 milhões de votos, 30,06% dos válidos, e Wagner, 3,99 milhões, 27,65%. Os dois ficaram à frente de Angelo Coronel (Republicanos), com 20,11%, e João Roma (PL), com 19,97%.

Ceará: virada de Elmano sobre Ciro

No Ceará, a eleição esteve longe de ser tranquila para o grupo petista. Ciro Gomes voltou ao estado onde construiu sua carreira política após quatro derrotas em eleições presidenciais e reuniu uma frente de oposição com União Brasil, PP e PL.

No primeiro Datafolha após as convenções, Ciro aparecia com 52% das intenções de voto, contra 33% de Elmano. A vantagem caiu para nove pontos no início de setembro e chegou a sete na pesquisa divulgada em 23 de setembro, com Ciro em 47% e Elmano em 40%.

Na reta final, Elmano conseguiu virar a disputa. A associação com Lula foi um dos elementos da campanha petista, enquanto Ciro concentrou parte de seus ataques na segurança pública. O resultado também expôs a força da estrutura política construída pelo grupo que governa o estado há 12 anos.

Para Adriano Oliveira, da UFPE, o cenário é tão cristalizado quanto o da Bahia. “O grupo governista chegou à eleição depois de 12 anos no comando do estado, além de manter influência sobre a política de Fortaleza.” O resultado para o Senado também mostrou a força de Cid Gomes, irmão e adversário de Ciro. Cid foi reeleito pelo PSB com 31,22% dos votos.

Piauí: caso puro de partido-estado

Para André Mota, o Piauí representa o exemplo mais acabado da estrutura política construída pelo PT nos estados. Rafael Fonteles (PT) foi reeleito no primeiro turno com 70,90% dos votos válidos, contra 27,54% de Joel Rodrigues (PP).

O resultado garantiu ao PT mais quatro anos no governo e o quarto mandato consecutivo do partido no estado desde 2015. Fonteles já havia vencido a eleição de 2022 no primeiro turno, com 57,17% dos votos.

Para Motta, o Piauí é o “caso mais puro de partido-estado”, em que a máquina pública e o instrumento eleitoral de um governo passam a formar uma estrutura única, capaz de perpetuar o grupo político no poder. A fonte não detalhou os mecanismos específicos dessa estrutura no estado.

Avanço bolsonarista acende alerta

Apesar da manutenção da hegemonia petista, o avanço de Flávio Bolsonaro em todos os estados nordestinos indica um cenário de polarização crescente. A disputa acirrada na Bahia e no Ceará, com viradas e pesquisas apertadas, mostra que o PT não pode se acomodar.

O enraizamento local, o clientelismo e o fator Lula seguem como pilares, mas o desgaste de longos mandatos e as pautas de segurança pública podem abrir espaço para a oposição nas próximas eleições. A continuidade dessa hegemonia dependerá da capacidade do partido de renovar suas lideranças e responder às demandas regionais.

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Equipe de jornalismo do BnT Online, cobrindo Ponta Grossa e os Campos Gerais.
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