Quaest: 7 estados já têm vencedor provável no 1º turno
Análise das pesquisas estaduais da Quaest para presidente revela três Brasis distintos: Lula à frente no Nordeste, Flávio no Norte e Centro-Oeste, e empate técnico em estados-chave como SP, MG e RS. Sete estados já têm vencedor provável no primeiro turno pelo critério mais rigoroso.

O cientista político Felipe Nunes analisou as pesquisas estaduais da Quaest para a eleição presidencial e identificou um cenário de calcificação do voto, com pouca mudança em relação a 2022. Nos estados, a regra é outra: resolver cedo. Pelo critério mais rigoroso — líder acima da soma dos demais, fora da margem —, sete estados já têm vencedor provável no primeiro turno: Roraima, Amapá, Piauí, Paraíba, Mato Grosso do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Outros 14 estão na margem de erro, o que mantém a disputa em aberto.
Três Brasis no mapa eleitoral
O mapa do primeiro turno revela três Brasis distintos. Lula aparece à frente em dez estados, concentrados no Nordeste e no Amapá. Flávio lidera em oito unidades, incluindo Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Acre, Rondônia e Roraima. Outros nove estados estão empatados dentro da margem de erro, entre eles São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, que concentram grande parte do eleitorado.
Essa divisão regional reflete a consolidação de bases eleitorais já observadas em pleitos anteriores. A disputa se concentra nos estados indecisos, onde os independentes podem definir o resultado.
Voto calcificado desde 2022
O voto em Lula hoje é quase uma cópia do resultado de 2022. A correlação entre a intenção de voto atual e o desempenho no primeiro turno da eleição passada é de 0,98, um índice altíssimo que indica estabilidade. O mesmo fenômeno ocorre no campo oposto: o voto em Flávio repete o de Jair em 2022, com correlação de 0,95. Trocou o nome, o eleitorado ficou.
Essa calcificação sugere que as campanhas terão dificuldade para ampliar suas bases. O foco deve ser a mobilização dos próprios eleitores e a conquista dos indecisos.
Onde cada candidato cresce
Lula cresce principalmente no Nordeste, onde já era forte. Os maiores avanços são no Maranhão (+7), Bahia (+6), Paraíba e Sergipe (+4). Fora da região, quase nada muda: variações vão de -3 em Goiás e Tocantins a +3 no Distrito Federal, com exceção do Amapá (+6). Lula aprofunda o voto onde já tinha.
Flávio melhora em relação a Jair no Norte e no Centro-Oeste: Rondônia (+6), Mato Grosso (+5), Pará (+4) e até na Bahia (+5). Porém, perde onde a direita tem alternativa: Distrito Federal (-8), Goiás (-6, estado de Caiado), Paraná, Rio Grande do Sul e Espírito Santo (-3).
Independentes decidem a eleição
O jogo está nos independentes, que representam de 24% a 36% do eleitorado nos estados. O pico ocorre no Rio de Janeiro (36%), Amazonas (35%) e em Tocantins, Rio Grande do Sul e Goiás (33%). São esses eleitores que podem inclinar a balança em estados-chave.
Lula vai além do próprio campo: em quase todos os estados, tem mais votos que a soma de lulistas e esquerda não lulista, sobretudo no Nordeste. Flávio, por outro lado, não consolida o seu eleitorado em Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal e São Paulo, onde fica abaixo da soma da direita.
Aprovação do governo influencia
A aprovação do governo ajuda a explicar o mapa. O saldo é positivo no Nordeste, no Amazonas (+7) e no Pará (+4), mas negativo em todo o Centro-Sul. Minas Gerais (-5) e Tocantins (-3) estão empatados, e são justamente estados em disputa.
O medo também organiza o voto. No Nordeste, quase 60% temem a volta da família Bolsonaro. No Norte e no Sul, até 64% temem mais um mandato de Lula. O medo dos dois chega a 8% em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Goiás: ali mora o eleitor em disputa.
Percepção de favoritismo e volatilidade
Um dado curioso: mesmo onde está empatado ou atrás, Lula é visto como favorito. Em São Paulo, 50% acham que ele vence, contra 35% que apontam Flávio. No Rio de Janeiro, 49% a 37%. No Paraná, 44% a 40%. Flávio só é apontado como vencedor em sete estados.
E ainda há espaço para mudança. Entre quem declara voto, de 11% a 23% dizem que a escolha pode mudar. Os mais voláteis são Paraná (23%), Amapá (21%), São Paulo e Santa Catarina (20%), Minas Gerais e Distrito Federal (19%).
Os dados reforçam um cenário de polarização estável, mas com bolsões de indecisão que podem ser decisivos. Acompanhe as próximas rodadas de pesquisas no Boca no Trombone para entender como o quadro evolui.























