A pré-temporada eleitoral brasileira virou também a temporada das simulações. A cada nova rodada, institutos de pesquisa testam cenários com nomes que vão de prováveis a meramente especulativos e vendem isso como se fosse um termômetro confiável para o eleitor. Não é bem assim!
Quando levantamentos colocam o eleitor para opinar sobre eventuais candidaturas como as de Tarcísio de Freitas, que disputará a reeleição ao governo de São Paulo; Michelle Bolsonaro, que pretende disputar o Senado; e Fernando Haddad, que poderá concorrer ao governo paulista, o que se mede muitas vezes não é intenção de voto. É nível de conhecimento do nome, rejeição momentânea ou simples reação ao noticiário. É dado, mas está longe de ser destino.
O problema se agrava quando recortes regionais ganham ares de tendência estrutural. O levantamento do Paraná Pesquisas, por exemplo, reiteradamente aponta vitória do governador Ratinho Júnior sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Paraná, o que, por si só, contamina a leitura dos números. Governadores bem avaliados costumam ter vantagem local, algo que não se aplica automaticamente a uma disputa nacional.
Transformar fotografia localizada e precoce em sinal político mais amplo é um salto interpretativo que a realidade nem sempre acompanhada. Pesquisa séria mede momento, não o futuro.
Há ainda um ruído adicional: a inflação de pré-candidaturas. Quando praticamente todo nome competitivo é testado ao mesmo tempo, o resultado tende mais à fragmentação do que à clareza. O eleitor responde ao que reconhece, não necessariamente ao que escolherá quando a urna estiver diante dele.
Nesse ponto, a movimentação do PSD é emblemática. Sob a batuta de Gilberto Kassab, o partido admite até três possíveis candidaturas presidenciais. Na teoria, demonstra força. Na prática, revela hesitação, porque, em política, quem tem três candidatos geralmente ainda não tem um.
Nada disso invalida o papel dos institutos. Eles continuam essenciais para captar tendências e mapear humores. O problema surge quando aparecem projeções que, de forma prematura, apontam desfechos improváveis sem que o cenário eleitoral esteja minimamente consolidado.
Antes da campanha começar de verdade, boa parte do que se apresenta como tendência é apenas ensaio. E, em ano pré-eleitoral, ensaio não é estreia.
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