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Aqueles pés não eram bonitos. Joanetes chamativos e unhas eternamente danificadas pelo futebol. Chutes a pressiona-las sempre sob chuteiras e tênis apertados. E quantos campos em gramas naturais e sintéticas, que faziam ralar o corpo. No campus universitário aquele par de pés circulava sempre desnudo em chinelos gastos e velhos harmonizamos com bermudas surradas e camisetas puídas.

Pés ágeis no futebol acompanhavam mãos delicadas que sabiam se deitar sob pranchetas numa sequência de cálculos que a profissão exigiria. Sapatos bonitos somente no dia da formatura para imediatamente serem deixados de lado em prol de botinas industriais daquelas com biqueira de aço para proteger os dedos.

E os pés seguiam firmes nas botinas, desde cedo até o final do dia. Em seu último suspiro, seus pés suspiraram dentro das botinas, calçado que ele usou a vida inteira e com os quais partiu desta vida. Muitos pares que se seguiram, número quarenta.

Autoria: Renata Regis Florisbelo

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