Quatro PMs viram réus por roubo a caminhoneiro na BR-376
Segundo o Ministério Público, policiais teriam usado viatura e armas da corporação para desviar o caminhão até um local isolado e roubar aparelhos celulares

Quatro policiais militares tornaram-se réus por suspeita de envolvimento em um roubo qualificado contra um caminhoneiro na BR-376. A denúncia apresentada pelo Ministério Público do Paraná (MPPR) foi recebida pela Vara da Auditoria da Justiça Militar Criminal de Curitiba.
A ação penal faz parte da Operação Rapina, conduzida pelo Núcleo de Curitiba do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O crime teria ocorrido em 26 de setembro de 2025, enquanto os quatro agentes estavam em horário de serviço.
Conforme a denúncia, os policiais integravam a equipe de uma viatura e teriam abordado um motorista de caminhão-cegonha no pátio de um posto de combustíveis localizado às margens da BR-376.
Com armas de fogo em exibição e mediante grave ameaça, os militares teriam obrigado a vítima a seguir a viatura policial e conduzir o caminhão até um local isolado. Nesse ponto, o caminhoneiro teria sido mantido com a liberdade restringida enquanto aparelhos celulares transportados pelo veículo eram subtraídos.
Segundo o Gaeco, não houve registro da ocorrência nem qualquer procedimento formal de apreensão que conferisse legalidade à abordagem.
Policiais permanecem afastados
Os quatro agentes foram denunciados pelo crime de roubo qualificado, previsto no artigo 242 do Código Penal Militar. De acordo com o promotor de Justiça Fernando Cubas César, a acusação considera circunstâncias como o concurso de pessoas, o emprego de arma de fogo e a restrição da liberdade da vítima.
Com o recebimento da denúncia, a Justiça Militar manteve as medidas cautelares determinadas em fevereiro de 2026. Os policiais continuam afastados das atividades operacionais e estão proibidos de utilizar fardamento e armamento — tanto da corporação quanto particular.
Os réus também permanecem sem acesso aos sistemas de investigação policial, não podem deixar a comarca sem autorização judicial e devem comparecer a todos os atos do processo.
MP pede indenização de R$ 50 mil
Além da condenação criminal, o Ministério Público pediu à Justiça a fixação de uma indenização mínima de R$ 50 mil por danos morais em favor do caminhoneiro.
O Gaeco também solicitou que as informações reunidas na investigação sejam compartilhadas com a Corregedoria da Polícia Militar do Paraná. O objetivo é permitir a apuração administrativa da conduta dos agentes e verificar a possível ocorrência de outros crimes.
Deflagrada em fevereiro, a Operação Rapina cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em endereços de Curitiba e Joinville, em Santa Catarina. Na ocasião, foram recolhidos dispositivos eletrônicos, documentos, valores e outros materiais.
O processo tramita sob o número 0016498-43.2025.8.16.0013. A acusação ainda será analisada ao longo da ação penal, com garantia do direito de defesa e da presunção de inocência dos réus.
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