Queima controlada limpa 120 hectares no Parque Vila Velha, em Ponta Grossa
Queima prescrita em Vila Velha limpa 120 hectares em Ponta Grossa e ajuda a controlar espécies invasoras e prevenir grandes incêndios.

A queima prescrita em Vila Velha, realizada no Parque Estadual de Vila Velha, em Ponta Grossa, atingiu 120 hectares de campos naturais entre os dias 23 e 28 de agosto. Segundo o Instituto Água e Terra (IAT), a operação teve como objetivo controlar espécies invasoras, recuperar a vegetação característica da região e reduzir o risco de incêndios de grandes proporções.
A área atingida pela ação equivale, aproximadamente, a 168 campos de futebol. A operação foi realizada pelo IAT em parceria com o Corpo de Bombeiros do Paraná e, segundo o instituto, mobilizou 512 pessoas ao longo dos trabalhos.
Parque pretende restaurar 1,43 mil hectares
De acordo com o chefe do Parque Estadual de Vila Velha, Juarez Baskoski, o uso planejado do fogo faz parte das estratégias para conservação e restauração dos campos naturais.
A meta estabelecida pelo IAT é restaurar cerca de 1,43 mil hectares dentro do parque até 2030. O trabalho é feito de maneira gradual, por áreas previamente delimitadas. “As queimadas controladas são usadas como estratégia para conservação e restauração dos campos naturais”, explicou Baskoski.
O procedimento não é novidade em Vila Velha. A técnica é utilizada no parque desde 2014 e também ocorre em outras Unidades de Conservação administradas pelo Estado, como o Parque Estadual do Cerrado, na região de Jaguariaíva e Sengés.
O Parque Estadual do Guartelá, em Tibagi, deverá ser uma das próximas unidades a receber a operação.
Fogo ajuda no controle de espécies invasoras
A queima prescrita em Vila Velha também é utilizada para impedir o avanço de espécies capazes de alterar as características naturais dos campos.
Entre as plantas que preocupam os técnicos estão espécies do gênero Baccharis, popularmente chamadas de vassouras.
Segundo Baskoski, quando esses arbustos e árvores avançam sobre o ambiente campestre, podem reduzir a entrada de luz no solo e modificar as características da vegetação típica dos Campos Gerais.
A operação acontece durante o inverno, principalmente entre julho e agosto. Fatores como umidade do ar, velocidade e direção do vento e temperatura são acompanhados para garantir condições adequadas para a aplicação do fogo.
Área que recebeu queima teve 89% mais espécies
Dados apresentados pelo IAT apontam resultados positivos da técnica.
Em pesquisas realizadas em uma área onde a queima prescrita foi aplicada em 2024, foram identificadas 36 espécies de vegetação características dos campos naturais.
Em uma área sem intervenção, foram encontradas 19 espécies.
Isso representa um aumento de aproximadamente 89% no número de espécies registradas na área manejada.
O índice que considera não apenas a quantidade, mas também a distribuição das espécies, apresentou diversidade 72,5% maior na área submetida ao manejo controlado.
Segundo o IAT, sem intervenções, espécies exóticas invasoras e plantas nativas oportunistas podem avançar sobre ambientes naturais e prejudicar ecossistemas como campos rupestres e formações semelhantes às savanas.
Técnica também ajuda a evitar grandes incêndios
Outro objetivo da queima controlada é reduzir o material combustível acumulado no solo.
Vegetação seca em grande quantidade pode favorecer incêndios de alta intensidade, principalmente durante períodos de estiagem.
Ao eliminar parte desse material de maneira planejada e sob acompanhamento técnico, a estratégia pode diminuir a quantidade de combustível disponível para um eventual incêndio fora de controle.
Fauna também é beneficiada
O manejo dos campos naturais também influencia diretamente os animais que dependem desse tipo de vegetação para abrigo e alimentação.
Um dos exemplos destacados pelo IAT é o tamanduá-bandeira, espécie que voltou a ser registrada no Parque Estadual de Vila Velha depois de aproximadamente 30 anos sem aparições documentadas no local.
A utilização do fogo está prevista no Plano de Manejo do parque.
A execução ocorre no inverno também para reduzir impactos sobre a fauna, já que, segundo o IAT, nesse período as aves da região não estão em sua principal fase reprodutiva e há menor presença de ninhos nos campos onde ocorre a intervenção.
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