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R$ 22 mil: Servidora e companheiro são indiciados por fraude no PG+Humana

O programa municipal PG+Humana é uma iniciativa voltada a garantir a segurança alimentar e nutricional de famílias de extrema vulnerabilidade e em situação de hipossuficiência econômica cadastradas no Cadastro Único.

R$ 22 mil: Servidora e companheiro são indiciados por fraude no PG+Humana
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A Polícia Civil de Ponta Grossa, concluiu formalmente a investigação que apurava fraudes em benefícios assistenciais no município, vinculados ao programa municipal PG+Humana. Os trabalhos resultaram no indiciamento de uma servidora pública municipal de 37 anos e de seu companheiro de 38 anos.

A dupla responderá pela prática continuada dos crimes de peculato-desvio (artigo 312 do Código Penal) e inserção de dados falsos em sistema de informações (artigo 313-A do Código Penal), condutas cujas penas máximas, somadas, podem alcançar até 24 anos de reclusão, além de multa.

O programa municipal PG+Humana é uma iniciativa voltada a garantir a segurança alimentar e nutricional de famílias de extrema vulnerabilidade e em situação de hipossuficiência econômica cadastradas no Cadastro Único (CadÚnico) em Ponta Grossa.

O benefício consiste no repasse mensal de um crédito na faixa de R$ 220,00 por família destinados à compra exclusiva de gêneros de primeira necessidade, alimentos e itens essenciais. A conduta criminosa investigada reveste-se de especial gravidade por retirar diretamente recursos do orçamento da assistência social que deveriam prover a subsistência de famílias carentes do município. A dimensão do crime investigado é evidenciada pelo valor total desviado pela servidora, de R$ 22.000,21 ao erário, montante equivalente ao desvio continuado de cerca de 100 parcelas do benefício, demonstrando que a conduta irregular não foi um fato isolado, mas sim praticada reiteradas e dezenas de vezes em prejuízo de pessoas carentes.

Conforme apurado, a investigada exercia o cargo de educadora social em um Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) e valia-se das credenciais de acesso restrito aos sistemas administrativos para fraudar cadastros. Durante o período compreendido entre novembro de 2025 e julho de 2026, ela emitia cartões do benefício em nome de munícipes cadastrados sem o conhecimento destes e, inclusive, em nome de cidadãos já falecidos. Para manter a liberação continuada dos créditos e burlar a fiscalização, a servidora inseria relatórios fictícios de atendimentos técnicos que jamais foram realizados. De posse dos cartões magnéticos, a investigada e seu companheiro realizavam compras recorrentes em redes de supermercados credenciadas na região, adquirindo mantimentos, artigos de consumo pessoal e eletrodomésticos.

O desmantelamento da conduta criminosa contou com a atuação decisiva da Fundação de Assistência Social de Ponta Grossa (FASPG). Por meio de rigorosas auditorias internas e cruzamento de dados, a administração municipal identificou discrepâncias operacionais, colheu depoimentos de beneficiários lesados e efetuou o afastamento preventivo da servidora de suas funções no CRAS. A documentação técnica produzida pela prefeitura fundamentou a representação do Delegado de Polícia perante o Poder Judiciário, que deferiu ordens cautelares de afastamento do cargo público e de busca e apreensão domiciliar na residência do casal.

Durante o cumprimento do mandado de busca, a PCPR apreendeu o smartphone da servidora. A perícia promovida após autorização judicial para extração de dados revelou um robusto acervo probatório: conversas registradas no aplicativo WhatsApp entre os investigados (disponibilizadas em anexo a esta nota) contendo fotografias de lotes de cartões sociais, consultas de saldos em tempo real, checagem de nomes de beneficiários e tratativas explícitas para a quitação de despesas particulares do casal com verbas públicas.

A materialidade delitiva e a autoria também estão cabalmente demonstradas nas filmagens do circuito interno de vigilância de supermercados da cidade (igualmente anexadas). As imagens captaram o casal operando os cartões sociais desviados diretamente nos caixas, em datas e horários que coincidem de forma exata com os registros de transação emitidos pelo sistema Viasoft Pay.

Convocados para prestarem depoimento perante a autoridade policial, os investigados optaram por exercerem o direito constitucional de permanecerem em silêncio durante os interrogatórios, recusando-se a responderem às perguntas formuladas sobre as fraudes.
O procedimento policial foi devidamente relatado e remetido ao Poder Judiciário e ao Ministério Público do Estado do Paraná para conhecimento e adoção das medidas cabíveis.

Leia também: Discussão entre homens termina com apreensão de munições em Ponta Grossa

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Matheus de Lara
Autoria
Matheus de Lara
Jornalista formado pelo Centro Universitário Santa Amélia (UniSecal) de Ponta Grossa. Graduado em dezembro de 2019, já trabalhou por dois anos em jornal impresso em conjunto com um portal de notícias. Atualmente exerce o cargo de jornalista no Portal Boca no Trombone, desde 13 de março de 2023.
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