“Ratinho precisa entender que aprovação não elege sucessor”, por Gleidson Carlos

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Gleidson Carlos
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Gleidson Carlos Greinert é jornalista formado em Comunicação Social desde 2014. Atua como escritor/articulista político, radialista e presta assessoria de imprensa e marketing. Ele é pós-graduado em Ciência Política.
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A aprovação de 84,3% de Ratinho Júnior no Paraná revela um paradoxo incômodo: um governador extremamente popular, mas politicamente incapaz de transformar essa força em sucessão.

Na prática, sua liderança se mostra mais frágil do que os números sugerem. Nenhum nome do seu grupo conseguiu decolar. Nem mesmo Guto Silva, tratado como favorito, empolga ou se impõe no cenário estadual. A insistência no ex-secretário não parece baseada em viabilidade eleitoral, mas em conveniência política: lealdade e subordinação pesam mais do que densidade eleitoral.

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Outras figuras como Rafael Greca e Alexandre Curi nunca foram alternativas reais. Faltava a eles justamente o que mais interessa ao governador: controle político. Não por acaso, foram ficando pelo caminho.

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O resultado é claro: Ratinho chega ao fim de mais de sete anos de governo sem um sucessor natural. Algo raro para quem ostenta índices tão elevados de aprovação. Isso expõe um limite evidente da sua liderança: governou bem para a opinião pública, mas não construiu uma base política capaz de se sustentar sem ele.

A situação se agrava quando se observa o cenário externo. Sergio Moro aparece como um adversário competitivo e, até aqui, mais viável eleitoralmente do que qualquer nome governista. Ou seja, o capital político acumulado pelo governador corre o risco real de ser entregue à oposição.

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Mais do que isso, Ratinho também fracassou em um projeto maior. Mesmo sendo um dos governadores mais bem avaliados do país, não conseguiu viabilizar seu nome para a Presidência da República. Faltou articulação, protagonismo nacional e, sobretudo, capacidade de transformar popularidade regional em liderança política ampla.

No fim, o retrato é duro: Ratinho Júnior pode encerrar seu ciclo como um governador bem avaliado, mas politicamente menor do que os números indicam. Sem sucessor forte, sem projeto nacional e com o risco concreto de ver seu legado parar nas mãos de um adversário.

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