Relatório final da CPI do Crime Organizado propõe indiciamento da PGR e de ministros do STF
Relator Senador Alessandro Vieira da CPI do Crime Organizado pediu indiciamento da PGR e dos ministros do STF. Além disso, o relatório aponta falhas no combate às facções.

A apresentação do relatório final da CPI do Crime Organizado nesta terça-feira (14) trouxe um elemento que chama atenção no cenário político: o foco direto em autoridades do alto escalão do Judiciário e do Ministério Público.
O documento, elaborado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), propõe o indiciamento dos ministros do STF Dias Toffoli, Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Apesar de a comissão ter sido criada para investigar a atuação de organizações criminosas no Brasil, nenhum outro nome foi incluído para indiciamento, concentrando o debate nas decisões e condutas dessas autoridades. A votação do relatório está prevista para ocorrer na última sessão da CPI, marcada para as 14h.
Questionamentos sobre ministros e PGR
De acordo com o relatório da CPI do Crime Organizado, Alexandre de Moraes teria atuado em processos nos quais haveria impedimento, além de supostamente limitar o alcance das investigações da comissão. Já Dias Toffoli é citado por decisões consideradas conflitantes com sua função, enquanto Gilmar Mendes é mencionado por medidas que teriam impactado investigações, incluindo anulações e invalidação de dados.
No caso do procurador-geral da República, Paulo Gonet, o documento aponta possível omissão diante de indícios relevantes envolvendo autoridades, o que reforça o peso institucional das conclusões apresentadas.
Panorama do crime organizado no Brasil
Além dos indiciamentos, o relatório da CPI do Crime Organizado apresenta um diagnóstico amplo sobre a atuação das facções no país. Segundo o documento, cerca de 28,5 milhões de brasileiros vivem em áreas sob influência de organizações criminosas, que já estão presentes em 24 estados e no Distrito Federal.
O texto também destaca que o Brasil registrou mais de 44 mil mortes violentas em 2024, com taxa de 20,8 por 100 mil habitantes. A lavagem de dinheiro aparece como principal mecanismo de sustentação dessas organizações, com atuação em setores como combustíveis, ouro, mercado imobiliário e até criptomoedas.
Caso Banco Master e desdobramentos
Um dos pontos de destaque é o caso do Banco Master, apontado como um possível elo entre o sistema financeiro e esquemas de lavagem de dinheiro. O relatório indica movimentações suspeitas que podem chegar a R$ 12 bilhões, sugerindo aprofundamento das investigações em uma nova CPI.
Propostas e críticas ao funcionamento da CPI
O relatório final da CPI do Crime Organizado também sugere mudanças estruturais, como aumento de penas para lavagem de dinheiro, fortalecimento do Coaf e criação de um Ministério da Segurança Pública.
Por outro lado, o documento reconhece limitações nos trabalhos da comissão, como a baixa realização de depoimentos — apenas 18 desde novembro de 2025 — e a dificuldade de acesso a dados, atribuída a decisões judiciais.
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