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Restou, por Renata Régis Florisbelo

Não lembro quando comecei a reparar nela, a casa. Passava por lá todos os dias e nada de interessante havia, fazia parte do trajeto… Num dado momento percebi o varal cheio, sempre. Com chuva ou com sol, cedo ou tarde as peças estariam penduradas. Uma variedade de roupas, por certo de uma família inteira. Não escapam dos meus olhos as roupinhas de crianças, as que mais encantam enquanto balançam no varal. E não mais deixei de espichar os olhos para ver.

Aquele varal, por nada eu deixaria de ver. Depois de algum tempo, a energia da casa começou a mudar. As roupas passaram a aparentar inexplicável inércia e estática mansidão. Depois de algumas semanas ausente daquela rota, a sensação de abandono tomou conta. E a perturbadora aridez veio na forma de uma placa de “vende-se”. Mato, nenhum carro na garagem, nenhuma roupa no varal. Presa por dois grampos de madeira uma humilde sacola de mercado, abanada no varal. E, agora, dias e dias passando por lá e só restou a sacola.

Autoria: Renata Regis Florisbelo

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