Sanções de Trump contra Cuba atingem 12 alvos por marxismo
Governo Trump sanciona 12 alvos em Cuba sob acusação de ‘exportar marxismo’. Medidas atingem ICAP, Ministério da Construção e empresas; chanceler cubano denuncia cerco humanitário.

O governo de Donald Trump ampliou nesta quinta-feira (20) o cerco econômico contra Cuba ao sancionar 12 alvos sob a acusação de que a ilha tenta “exportar marxismo”. As medidas, anunciadas pelo secretário de Estado Marco Rubio, atingem três dirigentes do Instituto Cubano de Amizade com os Povos (ICAP) e nove entidades, incluindo o Ministério da Construção cubano. A ação dá continuidade a uma política de pressão que já afeta fornecimento energético, transações financeiras e comércio na ilha.
Alvos incluem dirigentes e empresas
Entre as pessoas sancionadas estão Fernando González Llort, presidente do ICAP; Noemí Rabaza Fernández, primeira vice-presidente; e Leima Martínez Freire, diretora para a América do Norte. Já a lista de entidades soma nove organizações, das quais oito são empresas e uma é o Ministério da Construção de Cuba. A fonte não detalhou os nomes das empresas.
Pessoas sancionadas
- Fernando González Llort, presidente do ICAP
- Noemí Rabaza Fernández, primeira vice-presidente
- Leima Martínez Freire, diretora para a América do Norte
Entidades atingidas
- Ministério da Construção de Cuba
- Oito empresas (nomes não divulgados)
As sanções não correspondem a tarifas comerciais, mas sim a bloqueios diretos. Os bens e interesses dos alvos sob jurisdição dos Estados Unidos ficam congelados, e cidadãos e empresas estadunidenses ficam proibidos de realizar transações com eles. Além disso, Rubio ameaçou instituições financeiras e companhias estrangeiras que continuarem prestando serviços aos sancionados.
Essa abordagem amplia o alcance das medidas para fora do território norte-americano e pode afetar parceiros comerciais em outros países.
Acusação de “exportar marxismo” embasa medidas
Marco Rubio justificou a decisão afirmando que o governo cubano utiliza “grupos de fachada” para infiltrar, corromper e radicalizar cidadãos norte-americanos. Em comunicado, o secretário declarou: “O regime cubano passou décadas usando grupos de fachada para infiltrar, corromper e radicalizar americanos. Hoje, estou sancionando a liderança do ICAP, que é uma das principais organizações envolvidas nesses esforços — incluindo o espião cubano condenado Fernando González Llort”.
A fala, traduzida do inglês, não foi acompanhada de evidências públicas sobre a suposta rede subversiva.
Ligação com o centenário de Fidel Castro
Rubio também vinculou o ICAP às comemorações do centenário de Fidel Castro e acusou a entidade de levar “simpatizantes internacionais” a Havana para estabelecer contatos com autoridades cubanas. Contudo, o anúncio não identificou os supostos participantes estadunidenses nem apresentou elementos públicos que comprovassem a existência da alegada rede subversiva. O Departamento de Estado não divulgou documentos adicionais sobre o caso.
Cuba denuncia cerco humanitário
O chanceler cubano Bruno Rodríguez afirmou que as sanções têm o propósito deliberado de atingir a economia do país e impedir que o governo garanta serviços básicos à população. Em publicação no X, Rodríguez destacou que o cerco dificulta o transporte de alimentos, medicamentos e dispositivos médicos, muitos dos quais adquiridos por pequenas empresas privadas cubanas.
Ele também defendeu o ICAP como uma instituição dedicada à amizade, à solidariedade internacional, à justiça e à paz. A declaração integra a resposta oficial de Havana às sanções.
Política de pressão se amplia
As ações anunciadas nesta quinta-feira dão continuidade a um histórico de sanções norte-americanas contra Cuba, que já abrangem o fornecimento energético, as transações financeiras e o comércio. Com os novos alvos, o alcance das medidas se estende a organizações de intercâmbio cultural e solidariedade, o que representa uma mudança de foco em relação a setores tradicionalmente visados.
A inclusão do ICAP, em particular, sinaliza que Washington pretende restringir também os canais de diplomacia pública e cooperação internacional mantidos pela ilha.
Efeitos também atingem setor privado
As sanções atingem também o setor privado cubano, que depende de importações para abastecer pequenos negócios. Ao mencionar que o cerco dificulta o transporte de alimentos, medicamentos e dispositivos médicos, o chanceler Rodríguez indicou que as restrições impactam diretamente a vida cotidiana, inclusive de empreendedores locais.
A fonte não detalhou se haverá novos anúncios ou contramedidas por parte de Havana. No entanto, o tom das declarações indica que o governo cubano considera as sanções uma escalada nas tensões bilaterais. Enquanto isso, o portal Boca no Trombone segue acompanhando os desdobramentos dessa decisão e seus impactos para a região.
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