Secretaria da Família e Desenvolvimento Social: A cidade de Ponta Grossa como um todo por Camila Sanches
Criada em 2021, a Secretaria Municipal da Família e Desenvolvimento Social de Ponta Grossa atua de forma integrada em políticas voltadas à população.
Quando se pensa em crescimento econômico de Ponta Grossa, o olhar para o social não poderia ser ignorado. Para que a cidade se tornasse, de fato, maior, melhor e mais humana, era preciso compreender que desenvolvimento não se mensura apenas pela expansão da economia, pela geração de empregos, pelas obras realizadas ou pelos investimentos conquistados. Uma cidade também se desenvolve pela maneira como enxerga, acolhe e cria oportunidades para as pessoas que nela vivem. Foi a partir dessa compreensão que surgiu a necessidade de uma secretaria que tivesse a intersetorialidade em sua essência e o ser humano no centro de suas ações.
Mas como olhar para as pessoas em toda a sua complexidade, considerando suas diferentes realidades, trajetórias e necessidades? Como construir políticas públicas capazes de reconhecer que cada indivíduo carrega consigo diferentes marcadores sociais e que essas diferenças interferem diretamente na forma como cada pessoa acessa direitos, oportunidades e espaços na sociedade?
Foi a partir destas perguntas que nasceu a Secretaria Municipal da Família e Desenvolvimento Social de Ponta Grossa, no ano de 2021. Sua criação partiu do desejo do poder público de olhar o ser humano como um todo, sem deixar de reconhecer aquilo que torna cada pessoa única. Um olhar atento às diferenças, às vulnerabilidades e às potencialidades. Mais do que reunir políticas e serviços sob uma mesma estrutura administrativa, tratava-se de construir uma nova forma de pensar o desenvolvimento social: integrada, transversal e, sobretudo, humana.
A partir dessa concepção, três grandes dimensões ajudam a compreender a estruturação e a atuação da Secretaria: o direito à moradia, a promoção e a defesa dos direitos das mulheres e a segurança alimentar e nutricional.
A política habitacional de Ponta Grossa possui uma longa trajetória, historicamente conduzida pela Companhia de Habitação de Ponta Grossa, a Prolar. A partir de 2023, a habitação passou a integrar a estrutura da Secretaria por meio da Superintendência de Habitação. Mais do que uma mudança administrativa, essa reorganização aproximou a política habitacional das demais ações de desenvolvimento social do Município.
A Superintendência passou a conduzir ações relacionadas ao acesso à moradia, aos cadastros socioeconômicos, à regularização fundiária, ao aluguel social e à articulação de programas habitacionais, incluindo o Minha Casa, Minha Vida, além de programas pilotos como o endereço digital e a caixa d’água solidária. Esse trabalho ganhou nova perspectiva com a atualização do Plano Local de Habitação de Interesse Social, em 2026, instrumento destinado a diagnosticar as necessidades habitacionais do Município e estabelecer diretrizes, metas e estratégias para os próximos anos.
Nos direitos das mulheres, com a criação de um organismo específico de políticas públicas para as mulheres, o Departamento da Mulher, pode-se implantar a Casa da Mulher, criando um espaço de atendimento às mulheres em situação de violência. A experiência avançou e, em 2024, ganhou uma estrutura própria com a inauguração do Centro de Referência da Mulher Brasileira, que passou a concentrar os serviços anteriormente desenvolvidos em espaço mais amplo e humanizado.
E esta política continuou avançando. Com o propósito de fortalecer cada vez mais a autonomia, a autoestima, a qualificação profissional e a inserção econômica das mulheres, está sendo construída a Casa da Mulher Paranaense.
Avançamos também na construção de instrumentos permanentes de planejamento. Em 2026, Ponta Grossa publicou seu primeiro Plano Municipal de Políticas para as Mulheres, estabelecendo diretrizes para o período de 2026 a 2035.
Esta compreensão de que uma política social precisa atuar tanto diante da vulnerabilidade imediata quanto na construção de condições para superá-la está presente no terceiro eixo: a segurança alimentar e nutricional. Afinal, falar em autonomia, dignidade e desenvolvimento humano pressupõe assegurar, antes de tudo, condições básicas para uma vida digna, entre elas o acesso à alimentação adequada.
Com a implantação da Superintendência de Segurança Alimentar e Nutricional, em 2025, Ponta Grossa passou a articular de maneira integrada programas e ações antes desenvolvidos em diferentes áreas da administração municipal. Essa política reúne iniciativas como o Restaurante Popular Guilherme Cavina, o Banco de Alimentos, a Panificadora Escola Tia Nastácia e o Programa de Aquisição de Alimentos.
A integração dessas iniciativas fortalece uma rede que atua desde a produção até o acesso ao alimento. O Programa de Aquisição de Alimentos, por exemplo, aproxima a agricultura familiar das políticas sociais, adquirindo produtos de pequenos produtores para destiná-los à população atendida pela rede. O Restaurante Popular amplia o acesso a refeições, enquanto os demais programas alcançam famílias em diferentes situações de vulnerabilidade.
O passo seguinte é a consolidação do Centro Integrado de Segurança Alimentar, concebido para aproximar serviços, programas e estruturas afins em um mesmo espaço, fortalecendo ainda mais a atuação intersetorial.
Artigo do livro “Ponta Grossa 203 anos: Da rota dos tropeiros aos trilhos da inovação”























