Simepar investiga possível tornado em Reserva após fortes danos em Imbu
A frente fria que atua sobre o Estado segue influenciando o tempo e provocando instabilidades

Meteorologistas e técnicos do setor de geointeligência do Simepar (Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental do Paraná) estiveram em Reserva, no Centro-Sul do Estado, nesta quarta-feira (1º), para investigar a possibilidade de que a comunidade rural de Imbu tenha sido atingida por um tornado no último domingo (28).
A ação contou com acompanhamento de servidores da Defesa Civil Estadual e incluiu levantamento em campo e mapeamento aéreo da região afetada. O objetivo é confirmar a natureza do fenômeno que provocou destruição significativa em residências e áreas rurais.
As análises tiveram início já na segunda-feira (29), logo após a passagem de uma frente fria pelo Paraná, que provocou temporais em diversas regiões do Estado. Foram registradas fortes rajadas de vento, queda de granizo e elevados volumes de chuva.
Na localidade de Imbu, por volta das 23h do domingo, ao menos 11 casas foram danificadas, segundo levantamento da Prefeitura de Reserva. Cerca de 50 pessoas foram afetadas e dez permanecem desalojadas. Além das residências, a vegetação e veículos de moradores também sofreram danos causados pela intensidade do vento e do granizo.
O Simepar analisou inicialmente imagens de radar e registros enviados por moradores e equipes da Defesa Civil municipal. A ocorrência foi oficialmente registrada junto à Defesa Civil estadual na terça-feira (30).
Nesta quarta-feira, além do sobrevoo técnico, os meteorologistas também realizam entrevistas com moradores para entender o comportamento da tempestade na região. A equipe avalia ainda os padrões de destruição observados em campo, comparando com imagens e vídeos já analisados previamente.
Durante o levantamento, será possível estimar, por exemplo, a distância percorrida por objetos arremessados pela força dos ventos, um dos indicativos utilizados na classificação de eventos extremos.
A equipe de geointeligência também utiliza drones equipados com sensor Lidar, tecnologia capaz de mapear com alta precisão toda a área atingida. O material coletado auxilia na definição da intensidade dos danos e na possível confirmação de um tornado, incluindo sua classificação na Escala Fujita.
Temporais no Paraná
A frente fria que atua sobre o Estado segue influenciando o tempo e provocando instabilidades. Na terça-feira (30), novas tempestades atingiram as regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul do Paraná, com registros de granizo em municípios como Cascavel, Marquinho, São Miguel do Iguaçu e Rio Bonito do Iguaçu.
Segundo o meteorologista Paulo Barbieri, do Simepar, o cenário atmosférico é resultado da interação entre uma frente fria semi-estacionária e um fluxo intenso de umidade vindo da região Norte do país.
“Temos uma frente fria semi-estacionária sobre o oceano. Juntamente com essa frente, temos um fluxo de umidade que vem do Norte do país, trazendo muita umidade da Amazônia e também calor, que ao encontrar-se com o eixo da frente fria sobre o Paraná, aumenta a instabilidade”, explicou.
Ainda há risco de novas tempestades até a madrugada desta quarta-feira (1º) nas regiões Oeste, Sudoeste e Centro-Sul. Ao longo do dia, o tempo tende a melhorar em grande parte do Estado, com redução das chuvas, embora pancadas ainda possam ocorrer em pontos isolados.
Para quinta-feira (02), o Simepar já monitora a aproximação de uma nova frente fria, que deve voltar a espalhar chuvas por todas as regiões do Paraná. (As informações são do Simepar)
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