PG 203 anos: A trajetória do Sindimetal de Ponta Grossa
Sindimetal Ponta Grossa atua na representação da indústria metalúrgica, qualificação profissional e defesa de melhorias estruturais para o setor.

O Sindimetal nasceu da necessidade das indústrias metalúrgicas de Ponta Grossa terem voz própria. No início dos anos 2000, o setor local servia de apoio à indústria automotiva de Curitiba, onde estavam Volvo, Bosch e New Holland, e as decisões que afetavam as empresas da cidade eram tomadas fora dela. Assim surgiu a associação que originaria o sindicato, abrigada na Associação Comercial, Industrial e Empresarial de Ponta Grossa (ACIPG).
No período fundacional, a escassez de aço e a dificuldade de acesso a insumos como tintas aproximaram os empresários, que passaram a trocar informações e buscar tecnologia juntos, inclusive em viagens à Feira de Hannover. Foi também a fase de uma grande greve estadual, marcada por polarização política e força do movimento sindical dos trabalhadores. Mesmo assim, Ponta Grossa conseguiu encerrar a paralisação antes de outras cidades graças à articulação entre as indústrias. Esse momento consolidou o sindicato, com a conquista da carta sindical.
Entre 2013 e 2017, sob Luiz Paulo Rover, o sindicato enfrentou ameaças de greve e dificuldades financeiras, mas conseguiu se estruturar, criar corpo jurídico próprio e melhorar a relação com o sindicato laboral, tornando as negociações coletivas mais equilibradas.
De 2017 a 2022, Álvaro Scheffer, em três mandatos, modernizou a convenção coletiva, eliminando cláusulas de difícil cumprimento e construindo uma parceria sólida com o sindicato dos trabalhadores. Essa relação foi essencial durante a pandemia, quando ambas as entidades atuaram juntas para reduzir contaminações nas indústrias, sendo este um dos maiores êxitos da colaboração intersindical.
Entre 2022 e 2026, na gestão de Orceli Martins, o setor viveu um cenário misto: pequenas empresas de funilaria e estruturas metálicas mantiveram-se estáveis, enquanto companhias voltadas à exportação e ao mercado nacional sofreram com os juros altos, principalmente no segmento de caminhões.
A matéria-prima seguiu estável, mas a falta de mão de obra qualificada para funções como operadores de fresa, torno e corte a laser, tornou-se o maior desafio. Com a pauta sindical pacificada, o Sindimetal passou a atuar em gargalos estruturais da cidade, como rodovias saturadas, transporte público insuficiente e falta de rede de esgoto no Distrito Industrial, pleiteando junto ao poder público contorno rodoviário, mais linhas de ônibus e ajustes no Plano Diretor.
Agora, na gestão de Adir Ferreira de Jesuz (2026-2028), o cenário é de custos industriais elevados e forte polarização política, com destaque para o debate sobre a escala 5×2. O Sindimetal segue priorizando o bom relacionamento com o sindicato laboral, a proteção dos associados e a ampliação do quadro sindical, além de investir na parceria com instituições de ensino para formar profissionais mais qualificados e reduzir o apagão de mão de obra especializada na indústria metalúrgica local.
Casa da Industria, onde os setores da indústria se encontram no Paraná
A Casa da Indústria em Ponta Grossa se tornou um ponto de convergência de diversos setores industriais da cidade e dos Campos Gerais. A proposta reúne vários sindicatos industriais sob a mesma estrutura, fortalecendo o associativismo, dando mais peso à representação empresarial e estimulando a cooperação entre entidades de segmentos estratégicos da economia regional.
Fazem parte do espaço entidades ligadas à mineração, panificação, metal-mecânica, madeira, cerâmica vermelha e reparação automotiva e construção civil. Essa integração permite que as demandas do setor sejam levadas de forma coletiva, fortalecendo o diálogo com o poder público e com a sociedade.
A ideia nasceu dentro da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (FIEP), e Ponta Grossa foi a primeira experiência do tipo no estado. O projeto começou a ganhar forma em 2010 e foi colocado em prática oficialmente em 2011, com três sindicatos fundadores: Sindimadeira, Sindimetal e Sindiminerais. Ao longo dos anos, outros segmentos foram se somando, ampliando ainda mais a representatividade industrial da região.
Desde o início, o objetivo era fortalecer o associativismo, diminuir custos operacionais das entidades e aumentar a força de articulação institucional do setor.
























