Dois projetos de lei apresentados por deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) têm como foco o reforço da segurança de trilheiros e montanhistas em áreas naturais do Paraná. As propostas foram protocoladas nos dias 6 e 7 de janeiro, durante o recesso parlamentar, e devem começar a tramitar assim que os trabalhos legislativos forem retomados, em fevereiro.
As iniciativas preveem a criação de pontos de encontro ao longo dos percursos, melhoria da sinalização, classificação do grau de dificuldade das trilhas, implantação de sistemas de informação aos usuários e a realização de campanhas educativas voltadas a praticantes de atividades de aventura e ecoturismo.
O tema ganhou destaque após recentes ocorrências envolvendo trilheiros perdidos em rotas paranaenses. O caso de maior repercussão aconteceu na primeira semana de 2026, quando um jovem de 20 anos desapareceu no Parque Estadual Pico Paraná, na Região Metropolitana de Curitiba, após passar a virada do ano no local. Roberto Farias Tomaz percorreu mais de 20 quilômetros por áreas de difícil acesso até encontrar ajuda em uma fazenda no município de Antonina. O resgate mobilizou mais de 100 bombeiros militares, cerca de 300 voluntários e servidores do Instituto Água e Terra (IAT), segundo informações do Governo do Paraná.
Sistema estadual de informações sobre trilhas
Um dos projetos foi apresentado pela deputada Flávia Francischini (União Brasil), 1ª vice-presidente da Alep. A proposta cria o Sistema Estadual de Informação e Orientação ao Usuário de Trilhas e Montanhas (SEIOTM), que reuniria, em plataformas digitais, dados como grau de dificuldade das trilhas, tempo médio de percurso, pontos de risco, condições climáticas e contatos de emergência.
De acordo com o texto, o sistema seria gerido pelo Instituto Água e Terra (IAT) ou órgão equivalente, em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do Paraná (CBMPR) e entidades civis. A proposta também institui a classificação oficial das trilhas, com critérios técnicos como inclinação, extensão, exposição a intempéries e exigências físicas.
Outro ponto previsto é a criação da Semana Estadual de Conscientização e Segurança em Atividades de Aventura e Ecoturismo, a ser realizada na primeira semana de janeiro, período de maior fluxo turístico nas unidades de conservação. A iniciativa teria foco na divulgação de normas de segurança, campanhas educativas e estímulo à solidariedade entre praticantes.
Na justificativa do projeto, a deputada cita dados de resgates em áreas de montanhismo. Segundo ela, no Pico do Marumbi, por exemplo, a maioria das ocorrências envolve desorientação, quedas, fraturas e situações de pânico, atingindo principalmente visitantes inexperientes ou despreparados. O texto também prevê a criação de um conselho consultivo, elaboração de uma cartilha de montanhismo responsável e instalação de sinalização informativa nas trilhas.
Pontos de encontro sustentáveis nas trilhas
Já o deputado Matheus Vermelho (PP) apresentou projeto que propõe a criação da Política Estadual de Segurança em Trilhas, Áreas de Montanhismo e Ambientes Naturais de Difícil Acesso. Entre as medidas está a instalação do Ponto de Encontro Sustentável (PES) ao longo dos percursos naturais.
Esses pontos contariam com sinalização de alta visibilidade, mapas, água potável, kits de primeiros socorros e outras estruturas de apoio aos esportistas. O projeto destaca que as instalações devem priorizar soluções de baixo impacto ambiental, preferencialmente removíveis e compatíveis com as normas de proteção ambiental.
As duas propostas seguem agora para análise das comissões permanentes da Alep e poderão ser debatidas ao longo de 2026.
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