A Ucrânia e a Rússia concluíram, na quarta-feira, o segundo dia de negociações diplomáticas em Genebra. O encontro durou pouco menos de duas horas e contou com a participação dos Estados Unidos.
Conforme confirmado pelo presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, as discussões abordaram duas vertentes principais: militar e política. Os resultados revelaram avanços significativos no campo militar, mas enfrentaram obstáculos nas questões políticas.
Progressos na vertente militar
Segundo Zelenskyy, os três lados foram construtivos na vertente militar durante as conversações. O presidente ucraniano afirmou que os militares basicamente entendem como monitorar um cessar-fogo e o fim da guerra, se houver vontade política.
Além disso, ele destacou que as partes concordaram em quase tudo nessa área. A monitorização envolverá definitivamente o lado americano, o que considerou um sinal construtivo.
Detalhes técnicos pendentes
Zelenskyy não forneceu mais pormenores sobre os acordos militares. Ele referiu que a delegação e, especificamente, o chefe do Estado-Maior da Ucrânia, Andrey Hnatov, irão apresentar um relatório mais pormenorizado quando regressarem.
Essa abordagem sugere que os detalhes técnicos ainda estão sendo finalizados. No entanto, a base para um possível cessar-fogo já está em discussão.
Complexidade do aspecto político
Zelenskyy admitiu que o objetivo político é mais complexo do que o militar. O aspecto político inclui questões sensíveis, como:
- Os territórios da Ucrânia temporariamente ocupados pela Rússia.
- A Central Nuclear de Zaporíjia (ZNPP), ocupada por Moscou.
- Outros assuntos delicados não detalhados pela fonte.
Apesar da evolução registrada, o presidente ucraniano indicou que, até agora, as posições divergem nessas matérias.
Diálogo versus progresso
As conversações na área política não foram fáceis, conforme acrescentou Zelenskyy. Ele afirmou que, no que diz respeito à vertente militar, ouviu falar de progressos; na vertente política, houve diálogo – concordaram em avançar e continuar.
No entanto, não ouviu o mesmo nível de progresso que ouviu na vertente militar. Essa distinção sublinha os desafios persistentes para alcançar um acordo abrangente.
Desafios nas negociações políticas
Os territórios ucranianos ocupados pela Rússia continuam a ser o maior obstáculo nas negociações, segundo as informações disponíveis. As posições são opostas:
- Kiev defende que o congelamento das posições atuais constitui a base mais realista para um cessar-fogo nesta fase.
- Moscou exige que as forças ucranianas se retirem do Donbass como condição prévia para qualquer acordo.
Essa divergência reflete visões opostas sobre o status dos territórios em disputa, dificultando um consenso.
Influência do negociador russo
A presença de Vladimir Medinsky como chefe da delegação russa terá tornado o processo político mais complicado, de acordo com as informações. Medinsky é um dos mais ferozes apoiantes da guerra total de Moscou contra a Ucrânia.
Ele é conhecido pelas exigências maximalistas irrealistas que expressou no passado, o que contribui para o cenário complexo atual.
Figuras-chave e contexto histórico
O negociador-chefe de Moscou, Vladimir Medinsky, considerou as conversações difíceis, mas práticas. Durante as conversações de 2025 em Istambul, Medinsky terá avisado que a Rússia estava preparada para uma guerra prolongada se Kiev rejeitasse as exigências de Moscou.
Esse histórico contribui para o cenário complexo atual, onde as posições parecem entrincheiradas.
Compromisso com o diálogo
Por sua vez, o chefe de gabinete de Zelenskyy, Kyrylo Budanov, afirmou que a próxima reunião terá lugar num futuro próximo. Essa indicação sugere que, apesar das dificuldades, as partes mantêm o compromisso de continuar o diálogo.
A continuidade das conversações é vista como crucial para evitar uma escalada do conflito.
Perspectivas para o futuro
As negociações em Genebra destacam um caminho bifurcado: avanços tangíveis na vertente militar, mas impasses significativos na política. Zelenskyy resumiu essa dinâmica ao contrastar progressos militares com mero diálogo político.
A inclusão dos Estados Unidos na monitorização do cessar-fogo representa um ponto positivo. No entanto, a resolução das questões territoriais permanece incerta.
Próximos passos
Enquanto isso, as partes preparam-se para uma nova rodada de conversações, com Budanov a anunciar uma reunião num futuro próximo. O sucesso desses encontros dependerá da capacidade de superar as divergências políticas, especialmente em torno dos territórios ocupados.
A comunidade internacional acompanha de perto, na esperança de que o diálogo possa levar a uma paz duradoura.

















