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Política

“A Catedral foi derrubada”: secretário faz apelo contra projeto sobre tombamento de igrejas

Secretário de Cultura defendeu a preservação do patrimônio histórico, enquanto representantes das igrejas afirmaram que a legislação atual já garante proteção

“A Catedral foi derrubada”: secretário faz apelo contra projeto sobre tombamento de igrejas
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O projeto de lei que pretende impedir o tombamento de igrejas e templos religiosos sem a autorização das respectivas instituições religiosas voltou a ser tema de debate na Câmara Municipal de Ponta Grossa nesta segunda-feira (13), conforme foi noticiado primeiro no BnT Online. A discussão reuniu o secretário municipal de Cultura, Alberto Portugal, o bispo da Diocese de Ponta Grossa, Dom Bruno Elizeu Versari, e o vereador e pastor Ezequiel Bueno, autor da proposta.

O texto estabelece que igrejas e demais templos religiosos somente poderão ser tombados pelo município mediante autorização expressa da instituição responsável pelo imóvel. A proposta tem dividido opiniões entre o poder público e representantes das comunidades religiosas.

Secretária observa situação como risco ao patrimônio histórico

Ao ocupar a Tribuna Livre, o secretário de Cultura afirmou que a proposta pode comprometer a preservação do patrimônio histórico de Ponta Grossa ao limitar a atuação do poder público em futuras decisões sobre imóveis de valor cultural.

Para ilustrar sua preocupação, Alberto Portugal relembrou um dos episódios mais marcantes da história da cidade: a demolição da antiga Catedral Sant’Ana, que deu lugar ao atual templo.

“A antiga Catedral é um exemplo. Infelizmente perdemos um ponto histórico da cidade. Não estou criticando a nova estrutura, mas não precisava demolir uma obra tão importante.”

Segundo o secretário, embora atualmente exista o compromisso das instituições religiosas com a preservação de seus templos, nada garante que esse entendimento permanecerá no futuro.

Ele explicou que o tombamento não serve apenas para impedir a demolição de um imóvel, mas também protege sua arquitetura, sua estética e sua importância cultural para a cidade.

Como exemplo, citou alterações que poderiam descaracterizar construções históricas.

“Imagine que daqui a 50 anos alguém queira instalar um painel de LED na fachada de uma igreja histórica. O tombamento existe justamente para evitar que esse patrimônio perca suas características originais”, argumentou.

Portugal também fez um apelo para que os vereadores analisem o projeto pensando nas próximas gerações e voltou a mencionar a antiga Catedral como um alerta sobre decisões que podem ser irreversíveis.

“Quando isso parecer absurdo, lembrem que a Catedral de Ponta Grossa foi derrubada.”

Dom Bruno defende que legislação já protege os templos

Representando a Diocese de Ponta Grossa, o bispo Dom Bruno Elizeu Versari afirmou que a Igreja Católica não é contrária à preservação do patrimônio histórico, mas entende que o projeto de tombamento não acrescenta novas garantias em relação ao que já prevê a legislação.

Segundo ele, atualmente qualquer demolição ou intervenção em imóveis dessa natureza já depende de autorização dos órgãos competentes.

Dom Bruno também afirmou que experiências anteriores demonstram que muitos imóveis tombados acabam abandonados por falta de recursos para manutenção, motivo pelo qual defendeu que o assunto seja debatido de forma mais ampla.

“Se não vai agregar, vamos deixar como está. Nós nos comprometemos a cuidar desses espaços, assim como os pastores cuidam das suas igrejas.”

O bispo destacou ainda que a intenção das instituições religiosas nunca foi descaracterizar seus templos e pediu aos vereadores que suspendam o processo para ampliar o diálogo entre o poder público e as comunidades religiosas.

Segundo ele, as igrejas têm interesse direto na preservação de seu patrimônio histórico, cultural e religioso, razão pela qual consideram desnecessária a criação de novas restrições.

Autor do projeto defende autonomia

Autor da proposta, o vereador e pastor Ezequiel Bueno afirmou que o projeto não foi apresentado em razão de qualquer conflito com a Secretaria Municipal de Cultura. Pelo contrário, fez questão de destacar o respeito existente entre as lideranças religiosas e a pasta.

Segundo o parlamentar, a iniciativa busca garantir que qualquer decisão envolvendo templos religiosos seja construída em conjunto com quem administra esses espaços.

Ezequiel argumentou que as igrejas foram construídas com recursos das próprias comunidades religiosas e que seus responsáveis são os primeiros interessados em preservar esse patrimônio.

“A nossa palavra é diálogo e respeito. Nós, pastores, estamos sempre abertos para conversar. Não queremos prejudicar nossa comunidade.”

O vereador também ressaltou que possui mais de duas décadas de atuação na construção de templos religiosos e afirmou que a preservação desses espaços faz parte da missão das próprias igrejas.

Para ele, o projeto fortalece a participação das instituições religiosas nas decisões sobre imóveis que pertencem às suas comunidades, sem impedir o diálogo com o poder público.

Projeto segue em tramitação

A proposta segue em análise na Câmara Municipal e ainda deverá passar pelas próximas etapas de tramitação antes de ser votada pelos vereadores.

O debate evidenciou duas visões distintas sobre a preservação do patrimônio religioso em Ponta Grossa. De um lado, a Secretaria Municipal de Cultura defende que o tombamento é um instrumento fundamental para garantir a proteção da memória, da arquitetura e da identidade histórica da cidade, independentemente das futuras administrações ou dos responsáveis pelos imóveis.

Do outro, representantes da Igreja Católica e de denominações evangélicas sustentam que a legislação vigente já impede demolições irregulares e que as próprias instituições religiosas possuem compromisso permanente com a conservação de seus templos, defendendo que qualquer medida relacionada ao tombamento seja construída por meio do diálogo entre o poder público e os responsáveis pelos espaços religiosos.

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Heryvelton Martins
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Heryvelton Martins
Jonalista formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) com experiência em jornalismo diário e cobertura política da região dos Campos Gerais do Paraná.
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