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Ação Civil requer suspensão de projeto Parceiro da Escola

Além disso, o MPPR também questiona o processo de consulta pública realizado nas escolas que seriam afetadas pelo projeto

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Divulgação: MPPR
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O Ministério Público do Paraná (MPPR), por meio da 5ª Promotoria de Justiça de Proteção ao Patrimônio Público de Curitiba, entrou com uma ação civil pública nesta semana contra o “Projeto Piloto Parceiro da Escola”, uma iniciativa do Governo do Estado que busca contratar entidades privadas para gerenciar escolas públicas. O valor global máximo dos contratos que seriam firmados, superior a R$ 2,1 bilhões, está no centro da disputa jurídica.

A ação do MPPR solicita a nulidade do edital e a imediata suspensão do processo, que foi publicado em novembro do ano passado. A promotoria aponta uma série de irregularidades, como a ausência de um formato claro de prestação de contas pelos serviços contratados, a falta de estudos técnicos sobre os valores das contratações, e principalmente, a terceirização de um direito fundamental, que é a educação, algo que a Constituição Federal proíbe. O MPPR também critica o desrespeito ao princípio da gestão democrática do ensino público, um dos pilares da educação no Brasil, e a escolha inadequada da modalidade de licitação para o chamamento das empresas interessadas.

De acordo com o MPPR, a educação, incluindo a gestão das escolas, deve ser considerada uma atividade-fim do Estado, o que significa que a responsabilidade de oferecer ensino de qualidade e gerenciar as escolas não pode ser transferida para a iniciativa privada. A Promotoria de Justiça enfatiza que a Constituição Federal assegura que a educação é uma das principais obrigações do poder público, e que atividades essenciais como o ensino não podem ser terceirizadas.

Além disso, o MPPR também questiona o processo de consulta pública realizado nas escolas que seriam afetadas pelo projeto. Em 177 estabelecimentos escolares, foram realizadas consultas com as comunidades escolares, e a resposta foi clara: 84 das 94 escolas que tiveram quórum para votação rejeitaram a proposta. Apenas 10 aprovaram a ideia de participar do Programa Parceiro da Escola, o que reforça a argumentação de que o projeto não tem o apoio da maioria das escolas envolvidas.

A ação civil pública já foi recebida pela Justiça e vai tramitar na 5ª Vara da Fazenda Pública. O MPPR espera que a Justiça acolha os argumentos apresentados e suspenda imediatamente o edital, evitando que o projeto avance sem a devida análise e sem atender aos requisitos legais e constitucionais.

O “Projeto Piloto Parceiro da Escola” segue como uma das maiores polêmicas da gestão pública estadual na área da educação, e a decisão judicial sobre a ação proposta pelo MPPR pode ter impactos significativos sobre a forma como a educação pública será administrada nos próximos anos.

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Luis Carlos Pimentel
Autoria
Luis Carlos Pimentel
Formado em Técnica Contábil, estudou Jornalismo na Faculdade Secal. Há 40 anos trabalha em meios de comunicação social. Trabalhou em emissoras de rádio, jornais impressos e portais. Registro Mtb/PR - 4451
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