O Paraná liderou o ranking nacional de apreensões de drogas em 2025, de acordo com dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Segundo o relatório divulgado nesta quarta-feira (21), 566 toneladas de entorpecentes foram retiradas de circulação no Estado ao longo do ano passado, o que corresponde a 35% de tudo o que foi apreendido no Brasil, que somou cerca de 1,6 mil toneladas.
Este é o maior volume já registrado desde o início do monitoramento nacional, em 2017. Em comparação com 2018, quando foram apreendidas 102,8 toneladas, o crescimento chega a 450%, refletindo uma média de 1,5 tonelada de drogas retirada de circulação por dia no território paranaense.
O resultado é atribuído à atuação integrada e contínua das forças de segurança — Polícias Civil, Militar, Penal e Científica — em conjunto com a Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal e guardas municipais. O trabalho coordenado tem foco estratégico nas principais rotas do tráfico, especialmente nas regiões de fronteira, com destaque para o Oeste do Estado.
Na sequência do ranking nacional aparecem Mato Grosso do Sul, com 423 toneladas apreendidas, São Paulo, com 162 toneladas, e Santa Catarina, com 135 toneladas. Os dados indicam um fortalecimento das ações de combate ao crime organizado nos estados das regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
A maconha segue como a droga mais apreendida no Paraná. Entre janeiro e dezembro de 2025, foram 555 toneladas retiradas de circulação, o que representa quase 39% de toda a maconha apreendida no País. Em relação a 2024, quando foram registradas 482 toneladas, houve um aumento de 15%. Em sete anos, o crescimento chega a 455%, consolidando a tendência de alta nas apreensões.
No caso da cocaína, o Estado apreendeu 11,2 toneladas em 2025, volume 40% superior ao registrado no ano anterior. O número representa o melhor resultado da série histórica.
Entre as grandes apreensões do ano estão a interceptação de 4 toneladas de maconha escondidas em sacas de arroz, com destino ao Rio de Janeiro, além da apreensão de 1,5 tonelada da droga em uma área rural de Santa Helena, no Oeste paranaense. Em outra operação, 3,5 toneladas de maconha e fuzis foram apreendidas nas proximidades do Rio Paraná, no Noroeste do Estado.
Além de reduzir a capacidade de abastecimento do crime organizado, as ações têm caráter preventivo e impulsionam investigações de maior alcance. Em uma operação conjunta da Polícia Civil e da Polícia Militar, 25 pessoas foram presas recentemente, suspeitas de integrar uma organização criminosa que movimentava cerca de 1,5 tonelada de drogas por mês, com atuação interestadual.
Em muitos casos, as apreensões levam à identificação dos núcleos financeiros e logísticos das quadrilhas. Um exemplo foi a prisão de 13 pessoas investigadas por tráfico interestadual de drogas e armas, em desdobramento da maior apreensão de haxixe já registrada no Paraná.
Outro fator relevante no combate ao narcotráfico é o uso estratégico de cães policiais. Em 2025, quase 150 toneladas de drogas foram localizadas com o apoio da Companhia Independente de Operações com Cães (CIOC) e do Núcleo de Operações com Cães (NOC), especialmente em ações rodoviárias e no cumprimento de mandados.
O desempenho também reflete investimentos do Governo do Estado na área de segurança pública, com ampliação da frota de viaturas, embarcações e aeronaves, além da aquisição de equipamentos de alta tecnologia. Neste ano, entrou em operação a primeira base do projeto Polícia de Fronteira, inaugurada em Ribeirão Claro, no Norte do Estado, reforçando o combate ao tráfico, contrabando e crimes interestaduais.
A estratégia combina tecnologia, inteligência policial e patrulhamento especializado, com viaturas de grande porte, armamento de maior calibre e integração de bancos de dados e sistemas de monitoramento, ampliando a capacidade de resposta das forças de segurança.
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